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segunda-feira, 15 de fevereiro de 2016

Zika e Aborto: Outro ponto de vista

Zika e Aborto: Outro ponto de vista



Dom Leomar Antônio Brustolin 

 A epidemia do Zika vírus e a consequente ameaça aos fetos de ocorrer microcefalia reacendem o debate sobre a legalização do aborto no Brasil. Entrar num diálogo sobre essa questão é tarefa difícil, pois a gravidade da situação não favorece ponderar os diferentes aspectos da problemática. Uma visão imediatista e pragmática, contudo,  sugere resolver  o impasse com  recurso ao aborto. Na prática, não faltará quem induza a essa “prevenção”. 
A microcefalia é uma condição neurológica rara em que a cabeça e o cérebro da criança são significativamente menores do que a de outras da mesma idade e sexo. Seu cérebro não cresce o suficiente durante a gestação ou após o nascimento. Crianças com microcefalia têm problemas de desenvolvimento e não há uma cura definitiva, entretanto, tratamentos realizados desde os primeiros anos podem melhorar o desenvolvimento e a qualidade de vida. Acolher e cuidar de bebês com microcefalia é um ato de amor e acolhimento dos mais indefesos da sociedade. Mesmo assim, não faltam vozes clamando o direito ao aborto para fetos diagnosticados com microcefalia. 
Nesse contexto, não podemos evitar perguntas fundamentais: Quando inicia a vida qualitativamente humana num embrião? O feto é uma pessoa ou apenas um conglomerado de células à mercê da mulher que o carrega no útero?  A partir de que dia, ou momento, o feto pode ser considerado pessoa humana? Para alguns, a vida humana inicia na concepção e, portanto, o aborto seria um crime. Outros entendem que, nas primeiras fases da gestação, não se pode pensar em vida qualitativamente humana. Por isso, o aborto, nos primeiros meses de gravidez, poderia ser autorizado. 
Os dados das ciências biomédicas não identificam um momento definido e aceito consensualmente como o marco inicial da vida humana. A escola genética, contudo, em contraposição à desenvolvimentista, entende o resultado da fecundação como algo vivo; biologicamente diferente do útero materno; uma combinação dos cromossomos com patrimônio genético novo; vida biologicamente humana e individual, com herança genética própria e exclusiva, derivada da combinação dos 23 pares cromossômicos.  Qualquer decisão sobre abortar, portanto, depende de “um” ponto de vista. Não há consenso. Então, como decidir?
Para além dos aspectos legal e religioso, está o problema moral do aborto. Legalizar não significa abolir o caráter mau da ação. No momento em que se reinvidica o direito ao aborto, há uma tendência de privatizar a questão e reduzi-la somente ao ponto de vista jurídico. Pode, então, o aborto ser reinvidicado como direito? Todo direito defende, promove e produz o bem para a pessoa e a sociedade. O aborto elimina uma vida humana e, portanto, é um mal. Países com prática abortiva não resolveram o dilema ético que constitui o núcleo da questão. 
Conforme a tradição cristã, já na concepção, tem início uma nova vida, dom do Criador e, ao mesmo tempo, responsabilidade e tarefa a ser assumida pelas pessoas. Em seu mistério, a vida do ser humano encerra um caráter de sacralidade e, portanto, é inviolável. Na defesa do feto, pretende-se que a humanidade seja honrada para além de toda utilidade, vantagens ou interesses. Assim, o aborto, sobretudo nos casos de gestação de criança portadora de patologias, torna-se a prova real de desrespeito para com todo o gênero humano, de redução simplificada do que realmente é um ser humano. O aborto não é “solução” para nenhum problema social, é somente uma medida anódina. A prioridade não deveria ser a luta pela legalidade do aborto, mas pela dignidade da vida da pessoa humana, independentemente do estágio ou da situação em que se encontre. 

quinta-feira, 1 de outubro de 2015

Holanda Reconhece: Legalizar Maconha Foi Erro


A Holanda constatou ter sido um grande erro legalizar a maconha e a prostituição e iniciou ações de reparação dos danos. E aqui no Brasil tem gente fazendo passeata pela legalização dessa droga. A seguir,  uma matéria da revista Veja, escrita por Thomas Favaro, detalhando esse engano.

“A Holanda é um dos países mais liberais da Europa. Comportamentos considerados tabu em muitos países, como eutanásia, casamento gay, aborto e prostituição, são legalmente aceitos pelos holandeses. Em Amsterdã, turistas podem comprar pequenas quantidades de maconha em bares especiais, os coffee shops, e escolher abertamente prostitutas expostas em vitrines, uma tradição da cidade. No passado, De Wallen, o bairro da Luz Vermelha, como é chamado nos guias turísticos, foi relativamente tranqüilo e apinhado de curiosos. Desde que a prostituição foi legalizada, sete anos atrás, tudo mudou. Os restaurantes elegantes e o comércio de luxo que havia nas proximidades foram substituídos por hotéis e bares baratos. A região do De Wallen afundou num tal processo de degradação e criminalidade que o governo municipal tomou a decisão de colocar um basta. Desde o início deste ano, as licenças de alguns dos bordéis mais famosos da cidade foram revogadas. Os coffee shops já não podem vender bebidas alcoólicas nem cogumelos alucinógenos, e uma lei que tramita no Parlamento pretende proibi-los de funcionar a menos de 200 metros das escolas. Ao custo de 25 milhões de euros, o governo municipal comprou os imóveis que abrigavam dezoito prostíbulos. Os prédios foram reformados e as vitrines agora acolhem galerias de arte, ateliês de design e lojas de artigos de luxo. A prefeitura está investindo na remodelação do bairro, para atrair turistas mais ricos e bem-comportados.

De Wallen é um centro de bordéis desde o século XVII, quando a Holanda era uma potência naval e Amsterdã importava cortesãs da França e da Bélgica. Nos últimos vinte anos, a gerência dos prostíbulos saiu das mãos de velhas cafetinas holandesas para as de obscuras figuras do Leste Europeu, envolvidas em lavagem de dinheiro e tráfico de mulheres. Boa parte dos problemas é conseqüência do excesso de liberalidade. O objetivo da legalização da prostituição foi dar maior segurança às mulheres. Como efeito colateral houve a explosão no número de bordéis e o aumento na demanda por prostitutas. Elas passaram a ser trazidas – nem sempre voluntariamente – das regiões mais pobres, como a África, a América Latina e o Leste Europeu. A tolerância em relação à maconha, iniciada nos anos 70, criou dois paradoxos. O primeiro decorre do fato de que os bares podem vender até 5 gramas de maconha por consumidor, mas o plantio e a importação da droga continuam proibidos. Ou seja, foi um incentivo ao narcotráfico.

O objetivo da descriminalização da maconha era diminuir o consumo de drogas pesadas. Supunham os holandeses que a compra aberta tornaria desnecessário recorrer ao traficante, que em geral acaba por oferecer outras drogas. Deu certo em parte. Apenas três em cada 1.000 holandeses fazem uso de drogas pesadas, menos da metade da média da Inglaterra, da Itália e da Dinamarca. O problema é que Amsterdã, com seus coffee shops, atrai “turistas da droga” dispostos a consumir de tudo, não apenas maconha. Isso fez proliferar o narcotráfico nas ruas do bairro boêmio. O preço da cocaína, da heroína e do ecstasy na capital holandesa está entre os mais baixos da Europa. “Hoje, a população está descontente com essas medidas liberais, pois elas criaram uma expectativa ingênua de que a legalização manteria os grupos criminosos longe dessas atividades”, disse a VEJA o criminologista holandês Dirk Korf, da Universidade de Amsterdã.

A experiência holandesa não é a única na Europa. Zurique, na Suíça, também precisou dar marcha a ré na tolerância com as drogas e a prostituição. O bairro de Langstrasse, onde as autoridades toleravam bordéis e o uso aberto de drogas, tornara-se território sob controle do crime organizado. A prefeitura coibiu o uso público de drogas, impôs regras mais rígidas à prostituição e comprou os prédios dos prostíbulos, transformando-os em imóveis residenciais para estudantes. A reforma atraiu cinemas e bares da moda para o bairro. Em Copenhague, na Dinamarca, as autoridades fecharam o cerco ao Christiania, o bairro ocupado por uma comunidade alternativa desde 1971. A venda de maconha era feita em feiras ao ar livre e tolerada pelos moradores e autoridades, até que, em 2003, a polícia passou a reprimir o tráfico de drogas no bairro. Em todas essas cidades, a tolerância em relação às drogas e ao crime organizado perdeu a aura de modernidade.”

(Fonte: Revista Veja)

sexta-feira, 16 de janeiro de 2015

Homem acorda depois 12 anos

Homem acorda depois de passar 12 anos em ‘estado vegetativo’. 
Ele revela: ‘eu tinha consciência de tudo’

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Martin Pistorius odeia Barney. Não é de admirar. Por 12 anos, enquanto ele estava num coma que os médicos descreveram como “estado vegetativo”, enfermeiras tocavam incessantes reprises de Barney – pensando que ele não podia ver ou escutar nada – enquanto ele permanecia sentado e amarrado à sua cadeira de rodas.

Mas Martin não era o “vegetal” que os médicos diziam que ele era. Na verdade, ele podia ver e escutar tudo.

“Eu sequer posso dizer a você o quanto odiava Barney”, ele disse recentemente ao NPR.

Na década de 1980, Martin era um típico jovem ativo sul-africano. Porém, quando tinha 12 anos, foi acometido por uma doença que deixou os médicos desconcertados, e que eventualmente resultou na perda da capacidade de movimentar os membros, de fazer contato visual e, finalmente, de falar.

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Seus pais, Rodney e Joan Pistorius, foram informados de que ele era um “vegetal” e que o melhor que eles poderiam fazer seria levá-lo para casa e mantê-lo confortável até que ele morresse.

Mas o jovem continuou a viver, apesar do diagnóstico.

“Martin simplesmente persistia, persistia”, disse a mãe dele.

Agora, em uma nova autobiografia, “Ghost Boy: My Escape From a Life Locked Inside My Own Body” [Garoto Fantasma: Minha Fuga de uma Vida Presa Dentro do Meu Próprio Corpo], Martin revelou que, embora no início ele tivesse permanecido inconsciente tal como os médicos pensavam, depois de mais ou menos dois anos ele começou a acordar, tornando-se eventualmente consciente de tudo o que estava ao redor dele.

O pai de Martin, Rodney, cuidou do filho ao longo da provação, e relembra a rotina diária de acordar às cinco da manhã para preparar Martin para um dia num centro de tratamentos especiais.

“Oito horas depois eu o buscava, dava banho nele, alimentava-o, colocava-o na cama, programava o despertador para duas horas depois, para acordá-lo e não deixar que ele ficasse com assaduras”, disse Rodney à reportagem do NPR.

Porém, Martin se lembra de que em determinado momento sua mãe perdeu a esperança, e enquanto olhava para ele, pensando que ele não podia escutá-la, disse: “espero que você morra”.

Mas ele a escutou.

“Sim, eu estava lá, não desde o início, mas por volta de dois anos depois em que entrar no estado vegetativo, comecei a acordar”, disse Martin.

“Eu tinha consciência de tudo, assim como qualquer pessoa normal. Todos estavam tão acostumados à minha ausência, que não perceberam quando comecei a estar novamente presente. Fui atingido pela dura realidade de que eu passaria o resto da minha vida daquele jeito: completamente sozinho.”

Com seu cérebro ativo, mas com o corpo sem reação, Martin pensou inicialmente que estava preso e que assim permaneceria.

“Ninguém jamais me tratará com ternura. Ninguém jamais me amará”, ele pensou. “Você está condenado.”

“Na verdade, não pensava sobre nada”, lembrou Martin. “Você simplesmente existe. É um lugar muito escuro para estar porque, em certo sentido, você se permite desaparecer. Minha mente estava presa num corpo inútil, meus braços e pernas não estavam sob o meu controle e minha voz estava muda. Eu não podia fazer um sinal ou emitir sons para alertar as pessoas que deu estava consciente outra vez. Eu era invisível – o garoto fantasma.”

Mas, mais uma vez, Martin não desistiu e disse que eventualmente reconciliou-se com as palavras de sua mãe.

“O resto do mundo pareceu tão distante quando ela disse aquelas palavras”, ele recordou, mas então percebeu que “com o passar do tempo, aprendi gradualmente a compreender o desespero da minha mãe. Todas as vezes que ela olhava para mim, podia ver apenas uma paródia cruel da criança que tanto amara e que fora saudável.”

Eventualmente, o corpo de Martin começou a responder a sua mente e inexplicavelmente começou a se recuperar. Ele aprendeu a se comunicar usando um computador e começou a expandir seu mundo além dos limites que o haviam obstruído.

Em 2008, ele encontrou o amor de sua vida, Joanna, e emigrou para o Reino Unido. Em 2010, ele começou seu próprio negócio.

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Hoje ele tem 39 anos, está casado com Joanna e vive uma vida plenamente funcional e normal em Harlow, Inglaterra.

A história de Martin não é tão incomum quanto parece. Nos últimos anos, têm ocorrido muitos casos de pessoas diagnosticadas com “morte cerebral” ou que supostamente estavam em “estado vegetativo” e que mais tarde se recuperaram e revelaram que estavam plenamente conscientes do que acontecia ao seu redor.

Num caso particularmente “chilling”, um jovem chamado Zach Dunlap, revelou que estava plenamente consciente enquanto os médicos e seus familiares discutiam como doariam os órgãos dele. Apenas alguns momentos antes de ele ser levado à sala de operação para que seus órgãos fossem removidos, um membro da família colocou uma unha sob a unha do seu dedão do pé, causando uma reação inesperada. A cirurgia foi cancelada, e Zach se recuperou.

Casos como esses estão alimentando um debate crescente sobre a precisão dos diagnósticos de “estado vegetativo” e “morte cerebral”.

(Fonte: http://notifam.com/)

terça-feira, 28 de outubro de 2014

Nasce primeiro bebê de útero transplantado

Mãe e filho passam bem, dizem médicos da Universidade de Gothenburg. Mulher de 36 anos recebeu órgão de amiga da família de 61 anos. Experiência aumenta esperança em casos de infertilidade feminina.



Uma sueca de 36 anos tornou-se a primeira mulher no mundo a dar à luz um bebê após um transplante de útero, informou neste sábado (04/10) a publicação médica britânica The Lancet. O feito é considerado um grande avanço na luta contra a infertilidade feminina.

O menino nasceu no mês passado, ao fim de 31 semanas de gravidez, de cesariana, depois de a mãe ter desenvolvido uma pré-eclâmpsia, condição em que a grávida desenvolve hipertensão. Ele pesava 1,7 kg e media 40 cm – medidas normais para um bebê nesse período da gestação.

A mãe recebeu alta hospitalar três dias após o parto. Já a criança foi para casa uma semana depois. Ambos se encontram em boas condições de saúde.

A mulher nasceu sem útero devido a um problema genético, mas seus ovários estavam intactos. O útero foi doado por uma amiga da família, de 61 anos. Um ano após o transplante, os médicos introduziram um embrião em fase inicial. Três semanas depois, o teste de gravidez deu positivo.

"Nosso sucesso baseia-se nos mais de dez anos de intensa pesquisa em animais e de prática cirúrgica da nossa equipe. E pode ter um impacto enorme porque abre a possibilidade de tratar muitas jovens que sofrem de infertilidade uterina em todo mundo", disse o professor Matts Brännström, da Universidade de Gothenburg, que coordenou a operação. "Além disso, demonstramos a viabilidade do transplante de útero de doadores vivos mesmo em estado de pós-menopausa", ressaltou.

Segundo Brännström, a mulher poderá até mesmo ter um segundo filho. Ela continua tomando medicação para evitar que seu organismo rejeite o órgão transplantado.

Nove mulheres passaram por transplante de útero na Universidade de Gothenburg após terem nascido sem o órgão ou tê-lo perdido por causa de câncer. Duas, porém, tiveram o novo útero retirado por problemas de infecção e hemorragia. As outras sete também realizaram fertilização in vitro.

A universidade disse ainda que dois transplantes semelhantes foram realizados na Arábia Saudita e na Turquia, mas nos dois casos não se chegou ao nascimento de um bebê.

Fonte: http://www.dw.de/

Bioética, Biopolítica e Biopoder


"Como em várias outras situações, o que foi um desenvolvimento científico voltado a melhorar o viver das pessoas acaba sendo utilizado com outras finalidades", escreve José Roberto Goldim, professor de bioética, em artigo publicado pelo jornal Zero Hora, 23-10-2014.

Eis o artigo.

Algumas empresas norte-americanas estão incluindo, entre os benefícios aos seus trabalhadores, o pagamento para o congelamento de óvulos. Esse é um exemplo do que Foucault denominou de biopoder, entendido como sendo uma forma de “explorar numerosas e diversas técnicas para subjugar os corpos e controlar a população”.

O congelamento de óvulos humanos, projetado para tratar ou evitar a infertilidade de mulheres, não é isento de riscos, pois as expõe à estimulação hormonal e à coleta invasiva de óvulos. A taxa de sucesso desse procedimento é inversamente proporcional à idade da mulher no momento da coleta dos óvulos.

O biopoder, antes associado aos Estados, agora é exercido pelas organizações. Esse procedimento médico é utilizado, indevidamente, como uma estratégia biopolítica, considerando o corpo como um mero objeto. A antiga biopolítica, que era entendida como “matar ou deixar viver”, passou a ser “fazer viver e deixar morrer”, e agora como “adiar o fazer viver”.

Como em várias outras situações, o que foi um desenvolvimento científico voltado a melhorar o viver das pessoas acaba sendo utilizado com outras finalidades.

Financiar esse procedimento como um benefício associado ao trabalho das pessoas pode ser entendido como uma indução a postergar o projeto de ter filhos, com a finalidade de reduzir o afastamento do trabalho e de não interromper a carreira profissional. Paradoxalmente, o sistema de saúde do Reino Unido negou a solicitação de pagamento para o congelamento de óvulos, visando a uma reprodução futura, para uma paciente com indicação de realizar uma quimioterapia. Não se garante o financiamento para a real finalidade desse procedimento, mas sim o seu desvio.

O impacto e as repercussões dessas novas estratégias e apropriações na vida e no viver das pessoas exigem que se faça uma reflexão bioética de forma compartilhada com toda a sociedade. É necessário que se incluam diferentes referenciais teóricos a essa reflexão, ultrapassando apenas a questão da autonomia das pessoas e dos benefícios eventualmente associados.

(Fonte: http://www.ihu.unisinos.br/noticias/)

sexta-feira, 24 de outubro de 2014

Apple e facebook criticadas por oferecer às suas funcionárias o congelamento de óvulos

Vitória Pynchon, consultora legal e empresária, analisou a recente oferta dos gigantes da tecnologia Apple e Facebook de oferecer o congelamento dos óvulos de suas trabalhadoras, e assinalou que isso não traz benefícios para as mulheres trabalhadoras e que, pelo contrário, trata-se de uma “intromissão do trabalho na sua vida reprodutiva”.

Diversos meios de comunicação informaram recentemente que tanto Facebook como Apple acrescentariam o congelamento de óvulos nos seus programas de “benefícios” para as mulheres que trabalham em suas companhias.

Conforme informa a revista econômica Forbes, um representante da companhia fabricante do iPhone explicou a medida, indicando que querem ajudar “as mulheres na Apple para que façam o melhor trabalho de suas vidas ao mesmo tempo que cuidam dos seus seres amados e criam as suas famílias”.

Em um artigo publicado em 18 de outubro através da rede social LinkedIn, intitulado “Cuidado com o empregador que quer a sua fertilidade”, Vitória Pynchon assinalou que com medidas como as anunciadas pelo Facebook e Apple, “os empregadores da tecnologia de ponta e STEM (siglas em inglês para ciência, tecnologia, engenharia e matemática) não querem apenas as suas horas noturnas, querem a sua fertilidade”.
“Você deveria vender a sua fertilidade para a Apple ou para o Facebook?” questionou Vitória, para advertir que estas empresas já não estão falando de benefícios como “treinadores pessoais gratuitos, lavanderia ou comidas gourmet no escritório. Estamos falando sobre a intromissão do trabalho na sua vida reprodutiva”.


Entrevistado pelo New York Times em 17 de outubro, Gerald Ledford, pesquisador do Centro para Organizações Efetivas da Escola de Negócios Marshall da Universidade do Sul da Califórnia, assinalou por sua parte que “estes benefícios não são oferecidos por generosidade. São oferecidos porque as organizações querem que os empregados trabalhem 24/7 (as 24 horas, os sete dias da semana)”.


“Se o trabalhador nunca precisa sair para ir à lavanderia, à academia, para comer ou inclusive para dormir, pode trabalhar o tempo todo. São algemas de ouro”, criticou.


Vitória Pynchon destacou que “não há nada amigável à família em um lugar de trabalho que oferece às mulheres a ‘oportunidade’ de adiar a procriação e a criação para mais tarde onde supostamente será mais ‘conveniente’ ter filhos”.

“As mulheres precisam saber disso. Do ponto de vista do seu empregador, nunca é conveniente que tenha um filho. Do ponto de vista do seu empregador, seria mais rentável espremer você ao máximo durante os anos nos quais todos, homens e mulheres, trabalham por um salário mais baixo”.

Vitória recordou que quando ela era uma jovem advogada novata, “as poucas (muito poucas) mulheres que me precederam me disseram que eu ‘não podia’ ter filhos até que conseguisse ser sócia”, por que, no mundo trabalhista, criticou, as mulheres são percebidas “como um valor em queda no momento em que têm filhos”.

“O que aconteceu foi uma geração inteira de mulheres (a minha) que foram forçadas a escolher o ‘caminho da carreira’ ou o ‘caminho da maternidade’. Para aquelas de nós que escolhemos o ‘caminho da carreira’, centenas, milhares, provavelmente dezenas de milhares, sofremos anos, e às vezes mais de uma década, de tratamentos de fertilidade, que, se seguiram com uma gravidez aos 40 anos, que normalmente significou três a seis meses de descanso na cama”.

Vitória denunciou que, em vez de congelar os seus óvulos, o que os empregadores devem às mulheres é “o mesmo tipo de vida que oferecem aos seus colegas homens que, oh, tão convenientemente, nunca ficam grávidos. Eles, entretanto, têm famílias. E nunca foi problemático para os homens ter filhos”.

“De fato, o bem-estar financeiro dos homens aumenta quando têm filhos, ao mesmo tempo em que os salários das suas colegas femininas que têm e criam filhos diminuem precipitadamente”.

A consultora legal e empresária lamentou que mulheres que foram “altamente elogiadas repentinamente se encontram, como novas mães, carregadas de críticas subjetivas negativas questionando a sua dedicação, lealdade e habilidade para concentrar-se. Como se ainda não tivéssemos aprendido como usar nosso cérebro e nosso útero ao mesmo tempo”.

“Em uma economia do conhecimento, já não fazemos dinheiro para os nossos empregadores de acordo com o tempo que levamos para pensar em um novo produto, ou armar um plano estratégico para a seguinte aquisição ou fusão. Os trabalhadores do conhecimento vendem a sua habilidade, o seu treinamento, a sua propriedade intelectual, não o número de horas que se sentam em um escritório”.

O que as mulheres precisam e merecem, assinalou, “é uma nova medida para medir o valor do nosso trabalho”.

“A oferta de um empregador de financiar o atraso da maternidade coloca muitos pontos de exclamação ao final do conselho que me deram de não conceber até que seja sócia. Se você não aceita esta oferta generosa e tem os seus filhos ao final de seus 20 anos ou de seus 30 anos (como a evolução ou Deus planejaram que o faça) a sua lealdade será questionada, o seu valor descontado, a sua vida –e a de sua família– mercantilizada?”.

Para Vitória, que está deste lado “de uma longa carreira empresarial e legal de uma mulher sem filhos, tudo o que posso dizer é: resiste”.

“Você merece um trabalho amigável à família, não uma granja de ovos”, concluiu.

Para ler todo o artigo de Vitória Pynchon, em inglês, ingresse em: https://www.linkedin.com/today/post/article/20141018172333-11435719-beware-the-employer-who-wants-your-fertility

(Fonte:  ACI Digital)

segunda-feira, 21 de julho de 2014

Metade dos adolescentes da Grã-Bretanha terão famílias monoparentais até 2020

Crise na Família tem impacto devastador sobre os adultos, as crianças e a sociedade

O estudo "Breakthrough Britain 2015", descobriu que, mesmo hoje, apenas 57 por cento dos adolescentes vivem com o pai.

O relatório acrescenta ainda, conforme a suposição comum, que as crianças cujos pais são separados têm significativamente mais probabilidade de falhar na escola, têm baixa auto-estima, dificuldades nos relacionamentos, dificuldades de comportamento e ansiedade ou depressão. A notícia foi publicada esta semana no Daily Telegraph.

"Por muito tempo neste país a desagregação da família tem sido incontestada - apesar do impacto devastador sobre a adultos, crianças e comunidades", disse Christian Guy, diretor do Centro para a Justiça Social, que realizou o estudo.

A Dra. Samantha Callan, uma das co-autoras do relatório, disse que a "norma social" de ter filhos fora do casamento precisa mudar a fim de reverter o número crescente de famílias sem pais. "Existe uma visão predominante na sociedade que, quando as coisas não vão bem em um relacionamento, isso significa que o fim está próximo", disse ela. "Mas todos os relacionamentos estão sob pressão; você precisa ter um compromisso como o casamento para que você saiba que não vai fugir".

A Igreja tem muitos recursos para os casais que atravessam dificuldades. A USCCB tem um site dedicado ao casamento aqui: http://www.foryourmarriage.org/

Roma, 17 de Julho de 2014 (Zenit.org) 

sexta-feira, 18 de julho de 2014

Católicos com tendências homossexuais falam de castidade

As organizações Courage e EnCourage realizam Congresso internacional na Filadélfia sobre atenção pastoral para pessoas com atração pelo mesmo sexo

Pode não ser do conhecimento geral, mas existem organizações católicas, que oferecem assistência espiritual às pessoas com atração pelo mesmo sexo conforme as necessidades próprias.

O Instrumentum Laboris para o próximo Sínodo dos Bispos sobre a família, evidência no parágrafo 118: "O grande desafio será o desenvolvimento de uma pastoral que consiga manter o justo equilíbrio entre acolhimento misericordioso das pessoas e acompanhamento gradual rumo a uma autêntica maturidade humana e cristã.

Este será o tema da conferência internacional das organizaçãoes Courage e Encourage 2014 dedicada ao Papa Francisco. A conferência terá lugar de 17 a 20 de julho na Villanova University, na Filadélfia, onde centenas de delegados de todo o mundo, serão recebidos pelo arcebispo da cidade, Charles J. Chaput, que celebrará a missa de abertura. A Courage é um modelo que tem dado bons resultados no cuidado pastoral das pessoas homossexuais. Trata-se de um  programa promovido pelo episcopado da Igreja Católica em favor de toda a comunidade eclesial, que visa dar assistência moral e espiritual às pessoas que vivem a atração pelo mesmo sexo e ao mesmo tempo desejam viver de acordo com a doutrina da Igreja Católica.

EnCourage é uma organização que apoia a precedente, oferecendo ajuda aos familiares, cônjuges e amigos das pessoas com atração pelo mesmo sexo. Os dois apostolados, em constante crescimento, estão presentes em mais da metade das dioceses dos Estados Unidos e em quatorze países em cinco continentes, incluindo a Espanha (www.courage-latino.org). A conferência internacional, realizada anualmente, é um momento importante para ouvir novos testemunhos e aprofundar os objetivos do apostolado tendo em conta a experiência adquirida nesta âmbito da nova evangelização.

Courage nasceu em 1980 por iniciativa do então cardeal de Nova Iorque Terence Cooke, que encarregou a um teólogo reconhecido a mensagem de caridade e de verdade da Igreja: Padre John Harvey dos Oblatos de São Francisco de Sales (1918-2010).

Courage é a única ‘forma pastoral’ para os homossexuais oficialmente aprovado pelo Vaticano. Desde então, centenas de grupos foram formados em todo o mundo, que perseguem com coerência o espírito com que nasceu esta iniciativa. A missão da Courage se resume em cinco objetivos, sendo o primeiro muito claro e decisivo: viver a castidade.

Os membros são conscientes do fato de que a paz e a graça necessárias para viver uma vida casta só se encontra cultivando uma vida espiritual forte, através da oração e dos sacramentos. Os outros quatro objetivos se concentram na ajuda mútua, no desenvolvimento de amizades castas e no testemunhar a ação transformadora da graça na vida de cada dia.

O programa prevê encontros regulares para compartilhar, tomando como exemplo, o método utilizado pelos Alcoólicos Anônimos. Acompanhado por um caminho de catequese católica (oração, leituras espirituais, sacramentos, meditação, caridade), sob a orientação espiritual de um sacerdote.

As iniciativas da Courage e EnCourage são particularmente importantes porque demonstram que é possível perceber a atração pelo mesmo sexo e ainda ser um cristão devoto. Courage não utiliza curas terapêuticas, mas um programa moral e espiritual, valorizando a vocação cristã da pessoa, que vai além da condição homossexual.

Sim, em alguns aspectos, por causa de muitos preconceitos e ideologias que nasceram sobre a homossexualidade, pode parecer estranha a situação de uma pessoa atraída pelo mesmo sexo que seja ao mesmo tempo um cristão verdadeiro, mas os princípios que inspiram e justificam uma pastoral específica são simples: A vocação à santidade, também na vida cotidiana, reforçada pelo Concílio Vaticano II, está presente em todos os batizados, sem exceção.

Se estes são os princípios unificadores para todos os batizados, as especificidades de uma catequese para pessoas com atração pelo mesmo sexo vem da dificuldade de enfrentar metas difíceis de prosseguir (mas possível com a Graça Divina) e do compromisso de levar uma vida plena humana e espiritual.

Por estas razões, os membros dos grupos Courage são incentivados a aprofundar o discipulado cristão através de uma intensa participação na vida sacramental da Igreja e a testemunhar, aconselhar e envolver-se em obras de caridade. Uma das testemunhas, no site da Courage, explica que a sua decisão de aderir ao programa nasceu ao ver outros participantes comprometidos com a Palavra, ministros da sagrada comunhão, na prática da comunhão diária, dedicados em ajudar os doentes nos hospitais e na distribuição de alimentos para os pobres.

Entre os palestrantes do programa deste ano está o Pe. Paulo Check, diretor internacional do Apostolado da Courage, que foi entrevistado por ZENIT. Pe. James Brent, O.P. apresentará o relatório De um grau de glória para outro: a castidade como beleza espiritual; Immaculée Ilibagiza, sobrevivente do genocídio de Ruanda, contará sua história de fé, esperança e perdão; Pe. Joseph Koterski, S. J falará sobre o sentido cristão da sexualidade humana; Pe. Philip Bochanski, C.O, irá discutir o exemplo dos mártires ugandeses de Namugongo; Don Donald Timone, da diocese de Nova York, dará uma palestra intitulada Descendo a montanha; e se concluirá com o ciclo de intervenções do ex-protestante que se converteu ao catolicismo, Andrew Comiskey.

A conferência será uma oportunidade para mostrar o documentário "Desire of the Everlasting Hills" que apresenta depoimentos de alguns membros. O primeiro de uma série, em breve disponível também em outros idiomas para todas as dioceses que desejam promover este apostolado.

Roma, 15 de Julho de 2014 (Zenit.org)

sexta-feira, 11 de julho de 2014

Peru intensifica a defesa pelo direito de nascer

Médicos recolhem assinaturas para revogar o protocolo do aborto terapêutico

Roma, 10 de Julho de 2014, (Zenit.org), Sergio Mora 

A defesa pela vida dos nascituros se intensifica no Peru após a aprovação, no final do mês de junho, do "Guia Técnico Nacional para o aborto terapêutico", da ministra da saúde Midori de Habich.

O Cardeal Juan Luis Cipriani qualificou o protocolo, chamado aborto terapêutico, como um "guia para matar", e acrescentou que essa regra deixa aberta a porta para a "massificação" desta prática no país.

O arcebispo de Lima também solicitou que o protocolo seja submetido a "uma consulta pela saúde", onde estão representados "os médicos, as universidades e faculdades de medicina".  Ele acrescentou: "Não enganemos as pessoas, porque este é um guia para matar, se esses fundamentos não forem retirados, e se não for convocada uma consulta para melhorar a saúde."

A Conferência Episcopal Peruana manifestou a sua forte oposição à norma, e pediu que todas as crianças tivessem o direito à vida. E pediram ao presidente para revogar "em nome do nascituro" esta norma que favorece o aborto. Os bispos disseram que de acordo com a lei peruana, conforme o direito internacional, tanto a mãe grávida como o feto têm o mesmo direito à vida, a ser defendida pelo Estado e respeitada na sua dignidade.

O Arcebispo de Trujillo Miguel Cabrejos Vidarte expressou publicamente sua oposição ao guia, em uma carta de 16 pontos, dos quais 7 diz: "Não é possível que a vida humana dependa da decisão de uma comissão médica."

Às vozes da igreja se juntaram as do setor médico: Sindicato Nacional Médico do Seguro Social do Peru (SINAMSSOP) e a Sociedade Peruana de Direito Médico, destacando que o protocolo aprovado "limita aos profissionais a intervenção para tentar salvar as duas vidas, em busca de viabilidade fetal como fazem hoje", e pedem que o protocolo seja imediatamente suspenso.

A Federação de Medicina também se uniu e recordou um fato científico: "No mundo já conseguiram ajudar a viver fetos de 22 semanas." Indicou também que o protocolo é "claramente inconstitucional" e contrário "a jurisprudência atual do Tribunal Constitucional." E desmentiu a legalidade do "aborto terapêutico" no Peru. Afirmou ainda: "Que o artigo 119 do Código Penal negue a aplicação de uma pena, não faz com que a conduta proibida por nosso direito penal deixe de ser antijurídica e, portanto, ilegal”.

O guia técnico introduzido reconhece como legítimo o aborto ante "qualquer patologia materna que ameace a vida da mulher grávida ou gere à sua saúde danos graves e permanentes, devidamente fundamentada pela junta médica". Uma definição muito vaga como "danos graves", permitiria qualquer tipo de abuso.

A Federação considerou que a adoção do protocolo demonstra a existência de ideologias e políticas públicas além das normas e costumes jurídicos e médicos, e lembrou que há um financiamento externo a favor do aborto e que no passado realizou-se a política eugênica de esterilizações em massa com o pretexto de ‘proteger a vida e a saúde de mulheres peruanas’.

Agora, está em andamento a coleta de assinaturas para pedir ao presidente Humala a derrogação do protocolo.

quarta-feira, 7 de maio de 2014

Vitória!! Ideologia de gênero retirada definitivamente do Plano Nacional de Educação


Nesta terça-feira (6-4-14) transcorreu a votação na comissão especial que analisa oPlano Nacional de Educação (PNE). Este foi aprovado, mas sem a menção à abominável (e ridícula) expressão “Ideologia de Gênero” — ideologia perversamente anti-família. Se tal expressão não fosse excluída do PNE, permitir-se-ia às escolas um ensino favorável ao homossexualismo, e outros tipos de “orientações sexuais”, às nossas crianças. Segundo informação da “Agencia Brasil” (6-4-14), o relatório anterior aprovava a“superação das desigualdades educacionais, com ênfase na promoção de igualdade racial, regional, de gênero e de orientação sexual”. 

A redação final foi alterada para “a erradicação de todas as formas de discriminação”. Graças a Deus e aos esforços de muitos defensores da instituição familiar — com telefonemas, envios de e-mails, fax, contatos com parlamentares etc. —, tal expressão foi excluída do PNE (PL 8035/10), que há 3 anos tramita no Congresso Nacional.

Surtiu um ótimo efeito essa campanha de protestos enviados ao Congresso Nacional — por parte de muitos que argutamente perceberam os graves riscos da aprovação do PNE com referências à “Ideologia de Gênero” —, bem como de pedidos para que os deputados que aprovavam a retirada da malfada expressão estivessem presentes na votação.

Conforme notícia da “Agência Brasil” (6-5-14), agora a expectativa é que o PNE seja votado no Plenário dentro de 10 dias e siga para sanção presidencial ainda neste mês. 

Mas a mobilização que se obteve contra o plano nefasto não pode baixar a guardar, pois sabemos que não cessarão as investidas daqueles que promovem a desagregação da família tradicional, como estabelecida por Deus  — ou seja, constituída com o matrimônio monogâmico e indissolúvel, celebrado entre um homem e uma mulher, com vistas à geração e educação da prole.

Há outros projetos desagregadores da instituição familiar em pauta. Permaneçamos, portanto, VIGILANTES! Que a Sagrada Família — Jesus, Maria e José — abençoem e recompensem abundantemente todos que participaram desta longa batalha.  

(Fonte: http://blog.comshalom.org/carmadelio/40768-vitoria-ideologia-de-genero-retirada-definitivamente-plano-nacional-de-educacao)

Bioética: o silêncio prudente do papa

O silêncio do L'Osservatore Romano sobre a sentença da Corte Constitucional italiana, que legalizou a fecundação heteróloga, é o sinal mais evidente da mudança de clima introduzido pelo Papa Francisco em relação à temática da bioética. Nenhuma excomunhão, nenhuma cruzada.

A reportagem é de Marco Politi, publicada no jornal Il Fatto Quotidiano, 11-04-2014. A tradução é de Moisés Sbardelotto.

Que fique claro: o pontífice argentino não muda uma vírgula da posição doutrinal da Igreja Católica. Quando os mesmos problemas – hoje sob a atenção da opinião pública na Itália – explodiram em Buenos Aires, a Conferência Episcopal Argentina, juntamente com o cardeal Bergoglio, se pronunciou claramente contra a fecundação heteróloga, a barriga de aluguel e o casamento gay. Desde então, a sua atitude não mudou. O seu "não" continua.

O que o novo clima do pontificado reflete é a vontade de não interferir como Santa Sé em uma questão que diz respeito ao Estado italiano, porque os problemas de cada nação são de competência dos episcopados locais. As relações com as instituições e a situação sociopolítica italiana – disse o Papa Bergoglio, encontrando logo após a sua eleição os prelados da Conferência Episcopal Italiana (CEI) – são "coisa de vocês". E o repetiu duas vezes para deixar claro que não haveria mais instruções da Secretaria de Estado vaticana sobre como gerir os assuntos italianos.

Naturalmente, isso implica que o pontífice concorda com as interrogações postas pela presidência da CEI quando é contestado um direito individual à filiação "desvinculado  de qualquer visão relacional", negligenciando também, desse modo, o "direito do filho de conhecer a sua própria origem biológica". Mas, mesmo nesse caso, uma mudança de terminologia no comunicado da presidência da CEI sinaliza um novo modo de abordar problemáticas que, durante o pontificado de Wojtyla e de Ratzinger frequentemente desencadearam guerras religiosas. Na CEI, expressa-se o "necessário respeito pela obra da Corte Constitucional" e não se lançam raios, mas são trazidos à atenção "alguns pontos problemáticos".

Dessa forma – e este é o segundo elemento de novidade da situação que foi gerada com o advento de Bergoglio – a discussão é deslocada para um terreno mais laico. Em vez de uma reproposição de uma "verdade" que cai de cima em nome de uma dogmática lei divina, abre caminho um debate, mesmo que polêmico às vezes, sobre visões diferentes de mundo e das relações.

No L'Osservatore Romano, significativamente, Lucetta Scaraffia levanta a questão (no caso da mulher de Milão) de uma gravidez que começou aos 54 anos, declaradamente fora do ritmo biológico normal das mulheres. No que se refere à barriga de aluguel, a colunista do jornal vaticano, retomando temáticas expostas na França pela filósofa feminista (obviamente laica) Sylviane Agacinski, foca a atenção sobre o risco (que hoje tende a se tornar práxis já) de um mercado que leva ou força por necessidade mulheres pobres do Terceiro Mundo a "vender o seu corpo ou na forma de óvulos ou como útero". Não estamos aqui – pergunta-se Scaraffia – na presença de uma nova forma de exploração?

É evidente que, a partir desse ponto de vista, a problemática passa a fazer parte do âmbito da visão de mundo de cada pessoa; apela a uma reflexão sobre a relação entre as novas tecnologias e a utilização do corpo das mulheres (quer se trate de barriga de aluguel ou útero "emprestado"); em última instância, é um apelo ao legislador para avaliar o que é mais positivo em relação ao "humano".

Não é evidente que aqueles que, por exemplo, no momento da legislação sobre o aborto – lutando por aquilo que era considerado legitimamente como uma conquista das mulheres –, rejeitavam a ideia da "mãe-contêiner", forçada a levar a termo uma gravidez indesejada, sejam hoje automaticamente a favor da "mulher-contêiner", que, por dinheiro ou solidariedade, passa por uma gravidez em nome de terceiros.

Em outras palavras, tendo saído do campo dos dogmas impostos ex cathedra, entra-se na dimensão da discussão livre, em que não é óbvio que a barriga de aluguel seja em si mesma "progressista" e a rejeição de tal práxis seja por si só "reacionária".

Não é por acaso que, no mundo judaico, tradicionalmente não obcecado pela fobia sexual que caracterizou durante séculos a doutrina católica, manifestam-se perplexidades sobre a fecundação heteróloga. Há um grande favor aos procedimentos de reprodução assistida para superar as dificuldades de um casal, explica o rabino-chefe de Roma, Riccardo Di Segni, mas, em relação à fecundação com óvulos ou gâmetas de terceiros, a avaliação muda dramaticamente e é negativa.

"É um procedimento desaconselhado, até por motivos éticos e psicológicos", afirma Di Segni. "Devemos nos interrogar, por exemplo, sobre a identidade do doador, sobre as possibilidades de que sejam transgredidas algumas proibições, incluindo a proibição gravíssima do incesto (sobre os filhos do doador) e sobre os problemas que podem surgir nas relações pai-filho e mãe-filho".

Fonte: http://www.ihu.unisinos.br/noticias/530320-bioetica-o-silencio-prudente-do-papa

A dignidade da pessoa e as políticas estatais sobre reprodução humana

Atualmente as políticas oficiais consideram que o aumento do número de pessoas humanas sobre o planeta é um fato absolutamente indesejável, a ser desestimulado, e mesmo combatido.

Gente é bom. Este é o princípio jurídico estabelecido logo no art. 1º, III, da Constituição Federal, que, em linguagem técnica, os juristas costumam chamar de “princípio da dignidade da pessoa humana”.

Se gente é bom, se as pessoas são dignas, elas não são dignas apenas individualmente. A proclamação de uma “dignidade” irrestrita do “indivíduo” humano negaria completamente o que a própria Constituição quer estabelecer ao elencar a pessoa humana ao lado da cidadania, dos valores sociais do trabalho e da livre iniciativa, da soberania e do pluralismo como fundamentos para a nossa própria sociedade. “Pessoa” é sempre mais que indivíduo. Indivíduo é o ser em seu isolamento. “Pessoa” é o ser em relação.

Limitar a dignidade da pessoa humana à simples maximização dos interesses de cada indivíduo é promover exatamente o contrário do que o ordenamento deseja: pode ser do interesse de um indivíduo, numa determinada circunstância, e dentro de uma determinada ideologia, que os demais ao seu redor sejam eliminados. Mas uma eliminação assim, de muitos em nome dos interesses de um, jamais promoveria a dignificação da pessoa humana como tal.

Um dia destes, almoçando com uma professora de direito ambiental, ela me perguntou, durante uma conversa: “será que a terra não estaria melhor se a maioria das pessoas fossem eliminadas? Se pensássemos bem”, dizia ela, “a reprodução humana sempre viola a nossa dignidade como espécie, porque provoca um aumento de degradação ambiental que prejudica a todos. Olho com alegria as políticas populacionais que visam manter, ou mesmo reduzir, a população humana, pelo bem da própria humanidade.”

Esta fala, que me chocou muito, simplesmente verbalizou um entendimento que é corrente, embora muitas vezes não explícito, nos meios acadêmicos e jurídicos: o de que o aumento do número de pessoas humanas sobre o planeta é um fato absolutamente indesejável, a ser desestimulado, e mesmo combatido, por todas as políticas oficiais.

Duas políticas são adotadas com base nesta visão: a promoção de relações humanas sexuadas não reprodutivas como tão ou mais dignas do que aquelas reprodutivas, por um lado, e a esterilização em massa dos casais reprodutivos, inclusive pela promoção pública do aborto como método supremo de controle populacional, por outro.

Este não é um fenômeno brasileiro, é um fenômeno mundial, e basta ligar a televisão para se deparar com a promoção irrestrita de políticas assim. Há, no entanto, aí, um grande paradoxo: em nome da promoção de uma pretensa dignidade da pessoa humana, declara-se que o surgimento de novas pessoas humanas ofende a dignidade da pessoa humana. Ou seja, para estes o ser humano é bom, desde que não produza mais seres humanos.

Não há, no entanto, como declarar que o ser humano é intrinsecamente bom e, ao mesmo tempo, declarar que produzir mais seres humanos é intrinsecamente ruim. Não estou falando aqui de planejamento familiar, de responsabilidade reprodutiva, que são realidades absolutamente desejáveis, uma vez que passam pelo reconhecimento de que os seres humanos são essencialmente seres materiais, e que portanto precisam lidar bem com as relações materiais e econômicas que estabelecem com os outros e com o meio ambiente em razão da sua simples existência. A falta de responsabilidade na reprodução é um acidente ruim num fato bom em si mesmo.

Trato aqui da política estatal deliberada de controle populacional que pressupõe, no seu âmago, que mais seres humanos é uma realidade ruim por si mesmo – que acidentalmente pode ser boa quando a fertilidade é baixíssima e os genitores são economicamente poderosos. Não há como partir desde pressuposto e declarar que políticas assim promovem a dignidade da pessoa humana. Aquilo que é intrinsecamente bom, intrinsecamente digno, continua bom quando se reproduz, independentemente da presença eventual de circunstâncias adversas. Aquilo cuja reprodução é má também é mau em si mesmo, e só pode ser intrinsecamente desprovido de dignidade. Negar, pois, a bondade intrínseca da reprodução humana é negar, portanto, a própria dignidade da pessoa humana.

Paradoxo maior assim é que tal opção anti-humanista se dá no mesmo contexto de políticas públicas em que a promoção da atividade sexual indiscriminada pelo Estado pressupõe uma opção, nunca explicitada, pela ideia de que os instintos sexuais humanos não podem nem devem ser reprimidos, e que cabe ao Estado seu direcionamento. É como se as pessoas fossem bichos no cio: não se pode imaginar que animais sejam capazes de controlar seus próprios impulsos libidinosos, mas o dono deve direcioná-los sempre em favor do rebanho e dos seus próprios interesses comerciais. Esta promoção de atividade sexual indiscriminada sempre caminha, portanto, junto com a defesa da redução das taxas de fecundidade: valorização do sexo homossexual, difusão gratuita dos meios de anticoncepção sob o pretexto do “sexo seguro”, promoção indiscriminada do aborto, e, recentemente, a pretexto de "combater iscriminações", a própria criminalização da opinião contrária como "crime de fobia".

Quando o Estado passa por cima das famílias e promove o controle de natalidade, quando estimula e direciona a afetividade das pessoas para relações inférteis, equiparando-as ou sobrevalorizando-as em comparação com as relações responsáveis e férteis, quando publicamente festeja o decréscimo puro e simples das taxas de natalidade em nome da preservação ambiental, quando esteriliza em massa as mulheres e os homens, quando se cega para as diferenças biológicas e corporais entre as pessoas, não está lidando com gente, mas vê sua população como gado. Não se pode negar que o conceito de “dignidade da pessoa humana” é aberto e impreciso, mas não é absolutamente vazio de conteúdo: há condutas estatais que evidenciam o claro desamor pela humanidade, que são indiscutivelmente atentadoras da dignidade humana. Como dizia o poeta, “gado a gente marca, tange, ferra, engorda e mata, mas com gente é diferente”.

Brasília, 07 de Abril de 2014 (Zenit.org) Paulo Vasconcelos Jacobina

sábado, 12 de abril de 2014

Os equívocos do gênero

Já se fala da teoria de gênero como há algumas décadas se falava do comunismo. Mas onde estão os Marx e os Lênin do gênero? Quais são o Manifesto e o Capital dessa ideologia? Como se chama e onde o seu partido tem sede? Em nenhum lugar, em todos os textos e discursos católicos sobre o gênero, encontra-se uma resposta a essas perguntas, porque, na realidade, "a" teoria de gênero simplesmente não existe.

A análise é do teólogo leigo italiano Christian Albini, coordenador do Centro de Espiritualidade da diocese de Crema, na Itália, e sócio-fundador da Associação Viandanti. O artigo foi publicado no sítio Vino Nuovo, 28-03-2014. A tradução é de Moisés Sbardelotto.

Eis o texto.

Um fantasma vaga pela Igreja Católica, o gênero.

Bispos, teólogos, meios de comunicação parecem competir ao denunciar o perigo que vem da teoria de gênero, que gostaria de apagar a diferença entre homem e mulher e, com ela, destruir matrimônio, família e papéis parentais.

O gênero aparece como a nova heresia que conquistou políticos e intelectuais, assediando a Igreja e o direito natural em nome do casamento gay. Da lei contra a homofobia aos registros dos casais de fato, passando pela educação sexual nas escolas, tudo parece impulsionado por um grande complô gender, levado adiante pelo movimento LGBT, como se fosse uma espécie de Spectre poderoso e ramificado. Essa narrativa está muito difundida no discurso público católico. Evoca um perigo e um inimigo contra o qual é preciso vigiar e se mobilizar.

O fato é que, talvez, as coisas não sejam exatamente assim.

Comecemos pelo "inimigo". Já se fala da teoria de gênero como há algumas décadas se falava do comunismo. Mas onde estão os Marx e os Lênin do gênero? Quais são o Manifesto e o Capital dessa ideologia? Como se chama e onde o seu partido tem sede? Em nenhum lugar, em todos os textos e discursos católicos sobre o gênero, encontra-se uma resposta a essas perguntas, porque, na realidade, "a" teoria de gênero simplesmente não existe.

Há 20 anos, quando eu frequentava a faculdade, nos meus cursos, eu me deparei com os "estudos de gênero" (gender studies no mundo acadêmico anglo-saxão), uma denominação que reúne pesquisas filosóficas, sociológicas e psicológicas que estudavam o feminino e posteriormente o masculino. Essas reflexões nasciam da conscientização de que a imagem da mulher e o seu lugar na sociedade eram determinados por uma cultura predominantemente masculina, que perpetuava uma ideia de inferioridade e uma prática de subordinação da mulher.

O objetivo era a compreensão da identidade e da diferença feminina, na medida em que não dependem do dado biológico, mas de uma elaboração simbólica e cultural. Um exemplo banal e imediato é a ideia, por um longo tempo universalmente aceita, da inferioridade intelectual da mulher, excluindo-a assim da vida política e dos estudos. Na mesma linha, os gender studies, inevitavelmente, começaram a se ocupar com as homossexualidades, que levantam questões particulares.

O ponto é que as teorias formuladas a esse respeito são muitas e muito diferentes. As representações a que me referi, por isso, são forçações arbitrárias, pois não refletem a realidade. Só as teorias mais radicais postulam uma insignificância da diferença biológica e, mais a montante, antropológica, com os riscos de desestabilização social e de desintegração da identidade do humano denunciados pelo Magistério. É um mau entendimento que fecha a porta, no mundo católico, a um debate sereno, porque muitas questões e perspectivas são reunidas indevidamente sob o rótulo depreciativo do gender.

Assim, joga-se fora com a água suja o bebê de um patrimônio de pensamento que ajuda a reconhecer e a valorizar plenamente na sociedade, mas também na Igreja, as riquezas do masculino e do feminino. Isso significa não conseguir compreender profundamente a imagem de Deus no "homem e mulher os criou" do Gênesis.

Se não soubéssemos pensar o feminino para além de costumes e representações estereotipadas, por exemplo, como compreender o exercício da maternidade na economia, na política, na ciência, para além do ato de gerar fisicamente os filhos? E o mesmo vale para o masculino. E para além da maternidade e da paternidade?

Há dez anos, Franco Giulio Brambilla, hoje bispo de Novara, denunciava um atraso na antropologia cristã: entre a identidade profunda e a sua realização, está a cultura, ou seja, os usos e costumes que estruturam a consciência e as relações. Em que consiste uma cultura cristã da identidade de gênero? Em outras palavras, como a fé cristã faz discernir e viver concretamente no cotidiano a verdade do ser homem e mulher? Certamente, isso significa romper relações de poder que é cômodo manter. Pensemos na discussão sobre as mulheres nas listas eleitorais...

O Papa Francisco sabe muito bem disso, quando põe o problema do acesso das mulheres a papéis de decisão na Igreja (cf. Evangelii gaudium 104). Também o sabem ainda melhor muitas teólogas, religiosas e leigas, que conhecem bem esses temas e cuja voz ainda encontra pouco espaço.

Entre elas, lembro Serena Noceti, vice-presidente da Associação Teológica Italiana, que publicou recentemente um texto interessante, Sex gender system: una prospettiva? (no livro coletivo Avendo qualcosa da dire. Teologhe e teologi rileggono il Vaticano II, Ed. Paoline, 2014), que ajuda a ter ideias mais precisas. Retomo apenas duas passagens.

"A pergunta sobre a identidade de homens e mulheres coloca-se no cruzamento entre natureza e cultura, sem reduções indevidas e insustentável unicamente ao dado da diferença biológica e genética, sem restrições a leituras estáticas dos 'papéis sociais'."

Isso significa desmascarar falsas ideias de natureza, que remontam a uma filosofia essencialista e a-histórica, que legitimam a marginalização feminina também em âmbito religioso. De fato, nos documentos da Igreja "o sujeito humano é apresentado de modo aparentemente neutro. Hoje, estamos mais atentos ao fato de que, na realidade, toda theoria antropológica ocidental nasce e se desenvolve em torno de um código androcêntrico, em torno a um masculino universalizado e declarado neutro. A perspectiva de gender permite decodificar o implícito, criticar os conceitos falsamente universais de pessoa, indivíduo, sujeito eclesial, revelar os mecanismos simbólicos do masculino e do feminino na liturgia, ao dizer Deus e o ser humano, ao pensar a revelação e a história da salvação, ao definir a Igreja (por exemplo, as metáforas femininas de esposa e mãe)".

(Fonte: http://www.ihu.unisinos.br/noticias/529863-os-equivocos-do-genero-artigo-de-christian-albini)

A vida artificial já está aqui

Cientistas de várias universidades norte-americanas e europeias alcançaram “o monte Everest da biologia sintética”, como dizem os editores da Science: o primeiro cromossomo eucariótico fabricado em laboratório.

Foto: El Pais

Trata-se de um cromossomo de levedura, o fungo usado na fabricação de cerveja, pão, biocombustível e em metade das pesquisas sobre organismos eucariontes, como nós. A capacidade de introduzir um cromossomo sintético nesse organismo permitirá melhorar todos os itens anteriores: fabricar biocombustíveis mais sustentáveis para o ambiente ou desenvolver novos antibióticos, além de todo um novo continente de pesquisa sobre a pergunta do milhão: como construir o genoma inteiro de um organismo superior. A reconstrução de um neandertal, por exemplo, seria impossível sem esse passo essencial.

A biologia sintética é uma disciplina emergente, que trata não de modificar organismos, mas sim de desenhá-los a partir de princípios básicos. Nos últimos cinco anos, foram obtidos avanços espetaculares, como a síntese artificial do genoma completo de uma bactéria e de vários vírus.

Mas esta é a primeira vez que se consegue fabricar um cromossomo completo e funcional de um organismo superior, ou eucarionte (ou célula boa, em grego, aquela que forma os humanos). O consórcio liderado por Jef Boeke, diretor do Instituto de Genética de Sistemas da Universidade de Nova York, apresenta seu revolucionário resultado na revista Science.

“Nossa pesquisa move o ponteiro da biologia sintética da teoria para a realidade”, diz Boeke, um dos pioneiros dessa área. “Esse trabalho representa o maior passo dado até agora no esforço internacional para construir o genoma completo de uma levedura sintética.”

Boeke iniciou esse projeto há sete anos em outra universidade, a Johns Hopkins, em Baltimore, recrutando 60 estudantes universitários em um projeto chamado Build a Genome (“construa um genoma”). As técnicas para sintetizar o DNA melhoraram muito na última década, mas costumam produzir pedaços sequenciados bastante curtos, com não muito mais do que 100 ou 200 letras (tgaagcct…). Os estudantes se ocuparam de reunir tais sequências sintéticas em pedaços cada vez maiores. O cromossomo final mede perto de 300.000 letras.

Que um marco científico se refira à levedura (Saccharomyces cerevisiae), um fungo unicelular que os antigos egípcios já usavam para fazer a cerveja, parece ser um bom paradoxo ou uma piada ruim, mas não é assim. A divisão fundamental entre todos os seres vivos da Terra não é a que existe entre plantas e animais, nem entre micro-organismos e espécies grandes ou macroscópicas: é entre procariontes (bactérias e arqueias) e eucariontes (todos os outros, inclusive nós).

E o importante da levedura é que, por mais que seja um organismo unicelular, recai no nosso lado da barreira. Não é exagerado dizer que a maior parte do que sabemos sobre a biologia humana se deve à pesquisa desse conhecido fungo de aparência modesta. A levedura tem 6.000 genes, sendo que compartilha um terço deles com o ser humano, apesar do 1 bilhão de anos de evolução que nos separam.

Os cromossomos são os pacotes em que se divide o genoma dos organismos superiores, ou eucariontes. São muito mais do que uma parte do DNA: estão empacotados em complexas arquiteturas formadas por centenas de proteínas que interagem com o material genético, como as histonas. São dotados de um centrômero, o maquinário especializado em distribuir uma cópia do genoma para cada célula filha em cada ciclo da divisão celular; e seus extremos estão protegidos por sistemas singulares, os telômeros, que garantem a integridade da informação genética em cada ciclo de replicação. Por isso o novo feito científico vai muito além da síntese do genoma de uma bactéria, algo que já se havia obtido anteriormente.

Os humanos têm o genoma dividido em 23 cromossomos (ou pares de cromossomos); a levedura distribui seu material em 16, e os cientistas se centraram no menor deles, o de número 3. Extraíram o cromossomo 3 natural do fungo e o substituíram por sua versão sintética, chamada synIII, que cobre as funções do seu homólogo natural, apesar de ter sido bastante alterado com todo tipo de elemento artificial concebido para facilitar sua manipulação no futuro imediato.

A fabricação de antibióticos é atualmente obra de micro-organismos

Que o cromossomo sintético funcione em seu ambiente natural, uma célula viva de levedura, é o verdadeiro marco do trabalho, segundo os pesquisadores. “Mostramos”, diz Boeke, “que as células de levedura que levam o cromossomo sintético são notavelmente normais; comportam-se de forma quase idêntica às leveduras naturais, exceto que agora possuem novas capacidades e podem fazer coisas que suas versões silvestres não conseguem fazer”.

A versão natural do cromossomo 3 do Saccharomyces cerevisiae tem 316.667 bases (as letras do DNA: a, g, t, c). A versão sintética é um pouco mais curta, com 273.871 bases, como consequência das mais de 500 alterações que os cientistas introduziram nele. Entre essas modificações se encontra a eliminação de muitos trechos de DNA repetitivo, que não têm função alguma, por estarem situados entre um gene e outro (sequências intergênicas) ou dentro dos próprios genes (íntrons).

Também eliminaram os transpósons, ou genes que saltam de uma posição para outra no genoma de todos os organismos eucariontes. O cromossomo artificial synIII também porta muitos trechos de DNA acrescidos pelos pesquisadores. O número total de mudanças de um ou outro tipo se aproxima de 50.000, e mesmo assim o cromossomo sintético continua sendo funcional.

Apesar das suas evidentes implicações para a biologia fundamental – é possível construir o genoma de um organismo superior, inclusive o ser humano, a partir de compostos químicos tirados de um pote na estante? –, o projeto tem objetivos sobretudo práticos. E não só em áreas industriais, como a fabricação de pão e bebidas, nas quais esse organismo sempre foi utilizado.

Já houve vírus e bactérias de laboratório

Uma das aplicações ressaltadas pelos autores é a melhora na produção de remédios como a artemisina, para a malária, ou a vacina contra a hepatite B. Como a maioria dos antibióticos provém de fungos, e a levedura é um deles, também não é descabido prever avanços na concepção e produção desses medicamentos.

Mais em longo prazo, as leveduras sintéticas podem facilitar a síntese de medicamentos contra o câncer, tais quais o Taxol, cuja síntese, por ser muito complicada e envolver muitos genes, gera obstáculos para as tecnologias convencionais. Numa área industrial muito diversa, essa tecnologia, conforme esperam seus autores, servirá para desenvolver biocombustíveis mais eficazes que os atuais, entre eles álcoois como o butanol, e também diesel de origem biológica.

E, obviamente, o synIII é só o primeiro dos 16 cromossomos da levedura que os pesquisadores conseguem sintetizar. As tentativas de repetir a façanha com os outros 15 cromossomos já estão em projeto, sendo incluídas em um programa internacional chamado SC 2.0, com a participação de cientistas dos Estados Unidos, China, Austrália, Cingapura e Reino Unido. No nome do projeto, SC alude a Saccharomyces cerevisiae, o nome científico da levedura da cerveja, e o 2.0 busca enfatizar até que ponto os seres vivos estão prestes a se parecerem com qualquer outro desenvolvimento tecnológico. O objetivo é construir um genoma completo de levedura, ou o primeiro organismo complexo sintetizado no tubo de ensaio.

Voltando os olhos mais para o futuro, cabe especular sobre a ressurreição de espécies extintas, como o mamute ou o neandertal, cujos genomas já foram sequenciados a partir de seus restos fósseis. Se esses projetos chegarem a ser iniciados algum dia, terão de se basear em uma técnica similar à que Boeke e seus colegas acabam de desenvolver para esse fungo enganosamente simples, mas que tão útil tem sido para a espécie humana desde os primórdios do neolítico.

Fonte: Javier Sampedro, publicada no jornal El País, 27-03-2014.

A leitura ideológica do gênero é uma verdadeira ditadura

Roma, 28 de Março de 2014 (Zenit.org) Antonio Gaspari 

"A leitura ideológica do "gênero" é uma verdadeira ditadura que quer nivelar as diversidades, homologar tudo até tratar a identidade de homem e mulher como puras abstrações”, afirmou esta manhã Mons. Nunzio Galantino, nomeado há pouco pelo Papa Secretário Geral ad quinquennium da CEI, durante a coletiva de imprensa na Rádio Vaticano, durante a qual foi apresentado o comunicado final do Conselho Permanente que terminou ontem.

A menção de Galantino parte da palestra inaugural dada pelo Cardeal Angelo Bagnasco segunda-feira, 24 de março, e reflete bem o sentimento dos bispos italianos. O Secretário da CEI explicou como a Conferência Episcopal está alarmada com a iniciativa do Departamento Nacional Contra a Discriminação Racial (UNAR) sobre a produção e distribuição de folhetos nas escolas que discriminam as famílias e a religião.

O prelado fez referência a três folhetos – destinados respectivamente à escola primária, à escola secundária de primeiro grau e àquela de segundo grau – intitulados “Educar para a diversidade na escola e tendo Diretrizes para um ensinamento mais acolhedor e respeitoso das diferenças”.

Monsenhor Galantino disse que “o confronto dentro do Conselho Permanente destacou a preocupação dos Bispos por pressões que correm o risco de golpear fortemente a família, de associar indevidamente religião e homofobia, de apresentar como pacífico o assunto sobre a indiferença da diversidade sexual dos pais para o crescimento do filho e de motivar o matrimônio entre sujeitos do mesmo sexo”.

"Não entendo - acrescentou - porque para convidar um bispo a uma escola ou para organizar um passeio escolástico é preciso do parecer do conselho escolástico e, pelo contrário, para difundir folhetos ambíguos e fazer entrar pessoas que ensinam a ideologia do ‘gênero’, tudo corra bem”.

O bispo de Cassano all'Ionio também afirmou que viu com interesse o documento que falava de luta contra o bulling e a discriminação: “Fiquei chocado - acrescentou - , quando li que os panfletos alimentavam a discriminação contra a religião e contra as famílias. É um assunto sério descobrir que o Ministério da Educação não sabia nem dos conteúdos e nem sequer do programa para as escolas”. “E é ainda pior – disse o bispo – descobrir que as famílias não foram informadas e nem questionadas para discutir as eventualidades de tal programa escolástico”.

"Aqui não se trata de Igreja ou Estado: o direito primário à educação dos jovens é das famílias, e neste caso não foram nem sequer consultadas”, destacou Galantino. E anunciou que será o Papa Francisco que abrirá a Assembleia Geral da Conferência Episcopal Italiana (CEI) que acontecerá em Roma no próximo mês de maio.

O convite foi feito pelo presidente, o Cardeal Angelo Bagnasco, e o Papa o recebeu com entusiasmo. O prelado disse também que foi recebido ontem pelo Pontífice, juntamente com Bagnasco. No centro da conversa com o Pontífice estiveram os temas discutidos pelo Conselho Permanente.

O Papa, informou o secretário da CEI, tem insistido na necessidade de que "tudo o que a Igreja diz e faz tenha um impacto imediato sobre as pessoas". Monsenhor Galantino traduziu este convite explicando que, às vezes “ser só ‘ortodoxos’ é cômodo, enquanto que é muito mais importante ser corajosos e  coerentes com o testemunho do Evangelho”.

Portanto, o Papa Francisco exortou os bispos italianos a “estarem próximos das pessoas, a falarem de tal forma que nos compreendam, que as pessoas se deem conta de que o Evangelho não é um exercício ideológico, mas uma proposta para fazer mais bela a vida de cada dia. É do Evangelho que se tiram certas respostas e o estilo  com o qual se deve aproximar da realidade”.

quarta-feira, 19 de março de 2014

Brasil vota sobre a ideologia do gênero no Plano Nacional de Educação

Brasília, 18 de Março de 2014 (Zenit.org) Thácio Siqueira

Hoje, quarta-feira (19), será votado em Brasília o PL 8035-2010, de autoria do Poder Executivo, que dispõe sobre o Plano Nacional de Educação. A votação será na Comissão Especial na Câmara dos Deputados. ZENIT conversou hoje, brevemente, com o Dr. Paulo Fernando Melo, advogado, assessor parlamentar,membro da Comissão de Bioética da Arquidiocese de Brasília.

ZENIT: Por que querem colocar a ideologia do gênero no PNE?

Paulo Fernando: A ideologia de gênero é fruto do marxismo coletivista que usa a estratégia para subverter o conceito natural de família com um discurso ardil da defesa da igualdade plena e luta contra o preconceito no plano de educação. Ensinar desde a tenra idade que gênero é diferente de sexo, levando-se a crer na tese que tudo é apenas um processo de livre escolha, que as pessoas nascem apenas como "´pessoas" e que depois escolhem ser homem ou mulher.

ZENIT: Quem será influenciado por este plano?

Paulo Fernando: Os estudantes nos próximos dez anos serão obrigados a se deparar com toda ideologia de gênero inclusive no material didático e no currículo escolar e com força de lei nas escolas públicas, privadas inclusive confessionais católicas sem que os pais possam fazer nada contrário a isso. 

ZENIT: Quais são os grupos que militam para colocá-lo em vigor?

Paulo Fernando: Os ativistas feministas e os militantes de ONGs a serviço de grandes fundações internacionais que patrocinam uma campanha orquestrada para atacar a civilização cristã e da tradição familiar no Brasil.

ZENIT: A pergunta de sempre: o que o brasileiro pode fazer?

Paulo Fernando: O cidadão pode ligar no 0800619619 ( Disque Câmara) solicitando que repassem aos parlamentares membros da Comissão Especial a sua contrariedade em relação ao artigo 2º do texto da Câmara pedindo a manutenção do texto aprovado pelo Senado Federal sem a ideologia de gênero. 

(Fonte: Zenit.org)

segunda-feira, 17 de março de 2014

O perigo do "gênero" em educação


A ideologia de “gênero” prega, em matéria sexual, a “liberdade” e a “igualdade”. A “liberdade”, porém, é entendida como o direito de praticar os atos mais abomináveis. E a “igualdade” é vista como a massificação do ser humano, de modo a nivelar todas as diferenças naturais que existem entre o homem e a mulher.


A origem da ideologia de gênero é marxista. Para Marx, o motor da história é a luta de classes. E a primeira luta ocorre no seio da família. Em seu livro A origem da família, da propriedade privada e do Estado (1884), Engels escreveu:

Em um velho manuscrito não publicado, escrito por Marx e por mim em 1846, encontro as palavras: ‘A primeira divisão de trabalho é aquela entre homem e mulher para a propagação dos filhos’. E hoje posso acrescentar: A primeira oposição de classe que aparece na história coincide com o desenvolvimento do antagonismo entre homem e mulher unidos em matrimônio monogâmico, e a primeira opressão de classe coincide com a do sexo feminino pelo sexo masculino[1].

Dentro da família, há uma segunda opressão – a dos filhos pelos pais – que Marx e Engels, no Manifesto Comunista (1848), pretendem abolir: “Censurai-nos por querer abolir a exploração das crianças por seus próprios pais? Confessamos esse crime”[2].

Fiel à sua raiz marxista, a ideologia de gênero pretende que, em educação, os pais não tenham nenhum controle sobre os filhos. Nas escolas, as crianças aprenderão que não há uma identidade masculina nem uma feminina, que homem e mulher não são complementares, que não há uma vocação própria para cada um dos sexos e, finalmente, que tudo é permitido em termos de prática sexual.

Note-se que a doutrina marxista não se contenta com melhorias para a classe proletária. Ela considera injusta a simples existência de classes. Após a revolução proletária não haverá mais o “proletário” nem o “burguês”. A felicidade virá em uma sociedade sem classes – o comunismo – onde tudo será de todos.

De modo análogo, a feminista radical Shulamith Firestone (1945-2012), em seu livro A dialética do sexo (1970), não se contenta em acabar com os privilégios dos homens em relação às mulheres, mas com a própria distinção entre os sexos. O fato de haver “homens” e “mulheres” é, por si só, inadmissível.

Como a meta da revolução socialista foi não somente a eliminação do privilégio da classe econômica, mas a eliminação da própria classe econômica, assim a meta da revolução feminista deve ser não apenas a eliminação do privilégio masculino, mas a eliminação da própria distinção de sexo; as diferenças genitais entre seres humanos não importariam mais culturalmente[3].

Se os sexos estão destinados a desaparecer, deverão desaparecer também todas as proibições sexuais, como a do incesto e a da pedofilia. Diz Firestone:

O tabu do incesto é necessário agora apenas para preservar a família; então, se nós acabarmos com a família, na verdade acabaremos com as repressões que moldam a sexualidade em formas específicas[4].

Os tabus do sexo entre adulto/criança e do sexo homossexual desapareceriam, assim como as amizades não sexuais [...] Todos os relacionamentos estreitos incluiriam o físico[5].

Por motivos estratégicos, por enquanto os ideólogos de gênero não falam em defender o incesto e a pedofilia, que Firestone defende com tanta crueza. Concentram-se em exaltar o homossexualismo.

Ora, não é preciso uma inteligência extraordinária para perceber que os atos de homossexualismo são antinaturais. Nas diversas espécies, o sexo se caracteriza por três notas: a dualidade, acomplementaridade e a fecundidade.

Dualidade: há animais assexuados, como a ameba, que não têm sexo. Os animais sexuados, porém, têm necessariamente dois sexos. Não há uma espécie em que esteja presente apenas o sexo masculino ou apenas o feminino.

Complementaridade: os dois sexos são complementares entre si. E isso não se refere apenas aos órgãos de acasalamento e às células germinativas (gametas) de cada sexo. A fisiologia e a psicologia masculinas encontram na fisiologia e psicologia femininas seu complemento natural e vice-versa.

Fecundidade: a união de dois indivíduos de sexo oposto é apta a produzir um novo indivíduo da mesma espécie.

Percebe-se que nada disso está presente na conjunção carnal entre dois homens ou entre duas mulheres. Falta a dualidade, a complementaridade e a fecundidade próprias do verdadeiro ato sexual. Os atos de homossexualismo são uma grosseiríssima caricatura da união conjugal, tal como foi querida por Deus e inscrita na natureza.

A ideologia de gênero pretende, porém, obrigar as crianças a aceitar com naturalidade aquilo que é antinatural. Tal ideologia distingue o sexo, que é um dado biológico, do gênero, que é uma mera construção social. Gêneros, segundo essa doutrina, são papéis atribuídos pela sociedade a cada sexo. Se as meninas brincam de boneca, não é porque tenham vocação natural à maternidade, mas por simples convenção social. Embora só as mulheres possam ficar grávidas e amamentar as crianças e embora o choro do recém-nascido estimule a produção do leite materno, a ideologia de gênero insiste em dizer que a função de cuidar de bebês foi arbitrariamente atribuída às mulheres. E mais: se as mulheres só se casam com homens e os homens só se casam com mulheres, isso não se deve a uma lei da natureza, mas a uma imposição da sociedade (a “heteronormatividade”). O papel (gênero) de mãe e esposa que a sociedade impôs à mulher pode ser “desconstruído” quando ela decide, por exemplo, fazer um aborto ou “casar-se” com outra mulher.

Em 2010, o Ministério da Saúde publicou a cartilhaDiversidades sexuais[6] com o objetivo único de inculcar nos adolescentes e jovens a ideologia de gênero. A eles é ensinado que o homossexualismo é não uma desorientação, mas uma “orientação sexual”. E mais: que tal “orientação” é natural e espontânea, e não depende da escolha da pessoa!

Hoje já se sabe que ser gay ou lésbica não é uma opção, porque não implica uma escolha. O (a) homossexual não opta por ser homossexual, assim como o (a) heterossexual não escolhe ser heterossexual, o mesmo acontecendo com os (as) bissexuais. É uma característica natural e espontânea[7].

Essa afirmação, apresentada como certeza (“hoje já se sabe...”) é duramente atacada pelo psicólogo holandês Gerard Aardweg, especialista em comportamento homossexual:

O infantilismo do complexo homossexual tem geralmente sua origem na adolescência, e em grau menor na primeira infância. [...]. Não é, porém, durante a primeira infância que o destino do homossexual é selado, como muitas vezes defendem os homossexuais emancipistas, entre outros. Essa teoria ajuda a justificar uma doutrinação das crianças na educação sexual tal como: ‘Alguns de vocês são assim e devem viver de acordo com sua natureza’[8].

Ora, não há uma “natureza homossexual”, pois o homossexualismo é, em sua essência, um vício contra a natureza. Isso, porém, os ideólogos de gênero proíbem que se diga. Para eles, somente os preconceituosos se opõem às práticas homossexuais. Tal “preconceito”, que eles desejam que se torne um crime a ser punido[9], recebe o nome pejorativo de “homofobia”.

O Projeto de Lei 8035/2010, que aprova o Plano Nacional de Educação (PNE) para o decênio 2011-2020, trazia termos próprios da ideologia de gênero: “igualdade de gênero e de orientação sexual”, “preconceito e discriminação por orientação sexual ou identidade de gênero”. O Senado Federal, porém, em dezembro de 2013, aprovou um substitutivo (PLC 103/2012) que eliminou toda essa linguagem ideológica e ainda acrescentou como diretriz do Plano a “formação para o trabalho e a cidadania, com ênfase nos valores morais e éticos em que se fundamenta a sociedade” (art. 2º, V). De volta à Câmara, o projeto agora enfrenta a fúria dos deputados do PT e seus aliados, que pretendem retirar os “valores éticos e morais” e reintroduzir o “gênero” no PNE, a fim de dar uma base legal à ideologia que o governo já vem ensinando nas escolas.

Nem todos compreendem a importância e a extensão do problema. A vitória da ideologia de gênero significaria a permissão de toda perversão sexual (incluindo o incesto e a pedofilia), a incriminação de qualquer oposição ao homossexualismo (crime de “homofobia”), a perda do controle dos pais sobre a educação dos filhos, a extinção da família e a transformação da sociedade em uma massa informe, apta a ser dominada por regimes totalitários.

É a própria família brasileira que está em jogo.

QUE PODEMOS FAZER?

1) LIGUE GRATUITAMENTE PARA O DISQUE CÂMARA 0800 619 619. Tecle "9"

Desejaria enviar uma mensagem para todos os deputados membros da Comissão Especial destinada a votar o Plano Nacional de Educação (Projeto de Lei 8035/2010):

Solicito a Vossa Excelência que mantenha longe do Plano Nacional de Educação as expressões "gênero", "igualdade de gênero" e "orientação sexual". Tal linguagem  não é inócua, mas é própria da ideologia de gênero, que tem por fim destruir a família e massificar o ser humano, nivelando as diferenças naturais entre o homem e a mulher. As crianças e os pais agradecem.

2) ASSINE A PETIÇÃO CONTRA A IDEOLOGIA DE GÊNERO 
 http://www.citizengo.org/pt-pt/5312-ideologia-genero-na-educacao-nao-obrigado 

3) PASSE ADIANTE...

Anápolis, 11 de março de 2014.
Pe. Luiz Carlos Lodi da Cruz
Presidente do Pró-Vida de Anápolis

Jornalista agnóstico: Acredito no direito à vida porque é o único que tenho

MADRI, 11 Mar. 14 / 12:20 pm (ACI/EWTN Noticias).- No marco do VI Congresso de Voluntários e Delegados da organização espanhola Derecho a Vivir (Direito a Viver), o jornalista Luis del Pino, agnóstico declarado, assegurou que “acredito no direito à vida  porque a vida é o único que tenho”.


“Porque acredito somente nesta vida, não posso negar o direito à vida aqueles que terão apenas esta oportunidade”, disse o jornalista espanhol, ressaltando que "quanto mais agnóstico sou, acredito mais no direito à vida”.

O jornalista, que conduz o programa radial “Sem complexos” na emissora EsRadio, criticou que existam pessoas como ele “que acreditam que não há outra vida, mas neguem a outro a oportunidade de viver a sua única vida”.

“Abomino quem se acha no direito de decidir quem pode viver e quem não”.

O jornalista espanhol criticou também as incoerências dos militantes de partidos políticos de esquerda que estão a favor do aborto.

“Abortar por motivos econômicos? Pode-se defender isso segundo uma mentalidade de esquerda?”, questionou.

Luis del Pino assinalou que “abomino aqueles que em vez de lutar contra as desigualdades sociais, defendem que a criança seja eliminada”.

E aos defensores do direito à vida desde a concepção “a verdade e a justiça lhes assiste”, assegurou.