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sábado, 12 de abril de 2014

Reconhecer o valor do ser humano desde a concepção até a morte

Reconhecer o valor do ser humano desde a concepção até a morte, pede o Papa Francisco

O Papa Francisco recebeu na manhã dessa segunda-feira, 24 de março, no Vaticano, os membros do Pontifício Conselho para a Pastoral da Saúde e recordou-lhes que é necessário promover o fundamental direito à vida de todo ser humano, desde a concepção até a morte natural.

Em suas palavras, o Santo Padre assinalou que “a experiência da partilha fraterna com os que sofrem nos abre à verdadeira beleza da vida humana, incluindo a sua fragilidade. Na proteção e na promoção da vida, seja qual for a etapa ou o estado em que se encontre, podemos reconhecer a dignidade e o valor de cada ser humano, desde a concepção até a morte”.

“É verdade – disse o Papa -, que inclusive no sofrimento ninguém está sozinho, porque Deus em seu amor misericordioso pelo homem e pelo mundo abraça até as situações mais desumanas, quando a imagem do Criador presente em cada pessoa aparece imprecisa ou desfigurada”.

“Assim ocorreu com Jesus na sua Paixão... E aqui, na Paixão de Jesus, está a maior escola para todo aquele que queira dedicar-se ao serviço dos irmãos doentes e que sofrem”.

O Papa Francisco recordou, com ocasião da festa da solenidade da Anunciação do Senhor que se celebra nesta terça-feira, 25 de março, como Maria acolheu “a Vida” em nome de todos.

“Maria ofereceu sua própria existência, sua total disposição à vontade de Deus, convertendo-se no "lugar" de sua presença, no "lugar" onde mora o Filho de Deus”.

Para concluir, o Santo Padre animou os presentes a recordar sempre durante seu trabalho: “A carne de Cristo presente nos pobres, nos que sofrem, nas crianças, também as não desejadas, nas pessoas com deficiências físicas ou mentais e nos idosos”.


Fonte: ACI Digital

quarta-feira, 23 de outubro de 2013

A Igreja deve "intrometer-se" em assuntos científicos?

Por Padre Mário Marcelo Coelho, scj
Estamos vivendo um momento intenso de reflexão sobre temas referentes à vida humana. Os avanços científicos, sobretudo na Engenharia Genética suscitaram debates éticos. Os vários setores do poder público, judiciário, religioso, científico e privado estão mobilizados neste debate. 

Dentro desse cenário de enorme avanço científico no campo da genética, as questões que confrontam o cientificamente possível e o eticamente admissível serão cada vez mais frequentes. 

A vida humana está em pauta. Quando começa? O que a caracteriza? Como deve ser respeitada em sua dignidade? O que é interessante é que estes temas estão sendo comentados em casas, nas escolas, Igrejas, na rua, entre amigos, etc. 

O debate público é de enorme relevância, pois a Igreja mesma entende a necessidade do esclarecimento sobre o respeito à dignidade da pessoa. A competência da comunidade de decidir sobre os rumos da engenharia genética não deve ficar só nas mãos dos cientistas e dos políticos. A humanidade inteira deve ter suas instâncias de participação.

Um dos setores mais envolvido neste debate e que mais recebe críticas é a Igreja Católica. A Igreja é criticada por pessoas e setores da comunidade alegando dogmatismo, imposição, arbitrariedade, desrespeito pela liberdade, intenção de dominar o estado, etc. Muitos afirmam que o estado é laico e por isto a Igreja não deve se “intrometer”. 

Interessante, quando no Brasil havia perseguição política a presos e exilados políticos e que a Igreja se manifestava, lutava até à perseguição, muitos religiosos perderam a vida, não se ouviam gritos de que o estado é laico. Hoje, neste debate em torno da bioética, da defesa da vida, muitos, motivados por seus interesses políticos, econômicos, de poder, fama, científicos, etc. lutam por deixar a Igreja fora deste debate.

A Igreja não deve julgar à priori os possíveis desdobramentos destes avanços, mas manter um diálogo constante com o mundo científico para se inteirar das possibilidades, perigos e limites dessa nova etapa que se descortina na história da humanidade. Portanto, “é preciso que haja uma espécie de vigilância ética no âmbito técnico-científico, com o intuito de inibir qualquer experimento que ameace ou viole a dignidade humana”. 

Isso não significa, porém, impedir o avanço científico em áreas que trarão claros benefícios à humanidade. A Igreja deve estar atenta à necessidade de defender a vida em geral e também a vida individualizada, de cada ser humano, portador de características genéticas próprias; a lutar contra toda e qualquer linha de pesquisa que fere diretamente a vida. Consciente de sua missão, a Igreja deve zelar pela vida em qualquer estágio ou situação, missão esta recebida do próprio Cristo.

Cabe também à Igreja zelar para que os benefícios decorrentes das pesquisas científicas não fiquem restritos a uma ínfima parcela de privilegiados, mas estejam ao alcance de toda a humanidade. Em abril de 2003, o Cardeal Biffi, Arcebispo de Bologna, fez um sermão no qual, incidentemente, tratou da “Parresia”. Esse termo aparece nos Atos dos Apóstolos como sinônimo de franqueza evangélica. 

“Vendo a convicção (franqueza) de Pedro e de João” (At 4,13). Franqueza traduz o significado do termo grego “parresia”, termo que quer dizer “liberdade de palavra” e “capacidade de exprimir-se sem medos”. Conforme os escritos apostólicos, “parresia” é a coragem de anunciar o Senhor Jesus e sua mensagem de luz, mesmo diante de quem é hostil, prevenido, por vezes até prepotente e opressivo. Não é a temeridade de perturbar os irmãos na Fé, propondo opiniões mundanas e compromissos fáceis. É desafiar os dominadores deste século (os donos do poder, da riqueza, da informação) confiando-se apenas na força do Evangelho”(...).”Essa franqueza apostólica é um dom precioso do Espírito Santo (...)”.

A atitude da Igreja é, e deve ser sempre, de denunciar com coragem, franqueza (parresia) toda ameaça à vida. É responsabilidade da Igreja anunciar e denunciar todo tipo de agressão à vida. Tudo o que fere a vida em sua dignidade deve ser excluído do nosso meio. A Igreja, a exemplo do Bom Pastor, se torna responsável de cuidar, proteger, curar, apascentar o povo e, de forma particular e exigente, os fracos, indefesos e sem cuidados. 

“Em bons pastos as apascentarei, e nos altos montes de Israel será o seu curral; deitar-se-ão ali num bom curral, e pastarão em pastos gordos nos montes de Israel. Eu mesmo apascentarei as minhas ovelhas, e eu as farei repousar, diz o Senhor Deus. A perdida buscarei, e a desgarrada tornarei a trazer; a quebrada ligarei, e a enferma fortalecerei; e a gorda e a forte vigiarei. Apascentá-las-ei com justiça” (Ez 34,14-16).

Numa atitude de fidelidade, a Igreja tem o compromisso vindo do próprio Cristo de defender toda a criação e, de modo especial, a vida humana. A missão da Igreja se torna mais urgente e necessária para com os mais pobres e indefesos, aqueles que na sua vulnerabilidade ou inocência são continuamente ameaçados em seu direito de viver. 

A Igreja conhecedora do projeto Divino e consciente de sua missão assume o compromisso de defender a vida que é ferida, agredida por uma sociedade que a ameaça. Diante de Deus e da humanidade, a Igreja, mesmo sendo ridicularizada por muitos setores da sociedade, não pode se omitir, ela tem que ter uma atitude profética, ainda que seja no deserto, de defender, promover e respeitar a vida desde a concepção até o momento de sua passagem definitiva.
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Padre Mário Marcelo é mestre em Zootecnia pela Universidade Federal de Lavras – MG (UFLA-MG). Licenciado em Filosofia pela Fundação Educacional de Brusque, SC (FEBE). Bacharel em Teologia pela Faculdade Dehoniana, Taubaté, SP. Mestre em Teologia Prática (núcleo Moral), pelo Centro Universitário Assunção, São Paulo, SP. Doutor em Teologia Moral pela Academia Alfonsiana, Roma/Itália. Autor e assessor na área de Bioética e Teologia Moral. Professor da Faculdade Dehoniana, Taubaté, SP e do Instituto de Teologia Bento XVI, Cachoeira Paulista, SP.

sábado, 1 de setembro de 2012

DOM DAMASCENO ESCLARECE POSIÇÃO SOBRE RESOLUÇÃO DO CFM


Dom_Raymundo_Damasceno_Assis_agosto_2012Na entrevista coletiva, concedida pela presidência da CNBB, na tarde da quinta-feira, 30 de agosto, o cardeal dom Raymundo Damasceno Assis, arcebispo de Aparecida e presidente da entidade, respondeu a uma pergunta que colocava a resolução 1995/2012 do Conselho Federal de Medicina no âmbito da prática da eutanásia. Obviamente, o cardeal confirmou a posição da Igreja sobre o assunto.

Um portal de notícias chegou a divulgar que a CNBB teria feito “Nota” para tratar do assunto. Isso não ocorreu. A “Nota” apresentada, na verdade, diz respeito à “Defesa dos direitos dos povos indígenas”. Nesta sexta-feira, o presidente da CNBB, atendendo a diversos pedidos, esclareceu:

A resolução não é uma nova lei e não autoriza a eutanásia

“Primeiramente, trata-se de uma resolução. Portanto, é uma norma para disciplinar certos procedimentos médicos em relação a um paciente terminal. Ou seja, não se trata de autorização para eutanásia. Essa prática (eutanásia), no Brasil, não é permitida por lei. O código de ética médica é muito claro em relação a isso, quando diz que é vedado ao médico abreviar a vida, ainda que a pedido do paciente ou de seu representante legal. E, do ponto de vista moral e ético, também, é claro, não podemos defender a eutanásia, porque a vida é um dom precioso. É o primeiro dom  que nós recebemos. É a base e o fundamento de todos os direitos da pessoa humana. Temos que respeitá-la, desde seu começo até o seu término natural”.

A pessoa não é obrigada e nem impedida de recorrer a recursos extraordinários

“Agora, esta resolução trata apenas das normas para um médico poder agir de maneira legal e ética em relação a um tratamento de um paciente em fase terminal. Isto é, sem nenhuma perspectiva de recuperação, de melhoria, do ponto de vista do médico. Então, a pessoa não está obrigada e nem impedida de recorrer a recursos extraordinários, para se manter em vida. Não está obrigada a estes recursos extraordinários, essa complexidade tecnológica de que hoje a medicina está equipada, para manter um doente vivo, sem nenhuma perspectiva de cura, de recuperação. O médico deve atender o paciente da melhor maneira possível, utilizando todos os meios naturais, normais, para o seu tratamento. A título de exemplo: não se pode tirar do paciente o alimento, a ingestão de líquido, a que ele tem direito. Porque, aí sim, é matar a pessoa. Então, todos os recursos normais, naturais, conhecidos como cuidados paliativos, o médico deve utilizar para tratar do doente”.

A CNBB não é contrária

“Da forma que a resolução está colocada, a CNBB não é contra, enquanto se trata do uso de recursos extraordinários, complexos, que podem trazer mais sofrimento para o paciente, para a família; podem acarretar custos onerosos para a família do paciente, sem nenhuma esperança ou garantia de recuperação. Então, devem ser utilizados todos os recursos normais e naturais próprios para o tratamento de qualquer paciente”.

É preciso fiscalizar a aplicação da resolução

“A fiscalização deve ser feita para garantir os recursos básicos para os pacientes em casos terminais. Evidentemente, cabe ao hospital, ao conselho de medicina cumprir esta fiscalização. O código de ética médica é muito claro sobre isso: o médico está proibido abreviar a vida do paciente, seja por desejo do paciente ou de seu representante legal. Então, a vida nós temos que respeitar. É um dom de Deus. Temos que acolhê-la, defendê-la e promovê-la”.

Milagres acontecem

“Para nós que somos discípulos missionários de Jesus, há sempre a firme esperança de uma intervenção extraordinária de Deus, contrariando toda lógica das enfermidades ou dos procedimentos terapêuticos. Precisamos estar sempre abertos à possibilidade da cura, mesmo quando tudo parece não ter mesmo jeito. Essa é uma atitude de fé que não pode, de nenhum modo, ser negada ou sufocada”.


 SEX, 31 DE AGOSTO DE 2012 17:03 / ATUALIZADO - SÁB, 01 DE SETEMBRO DE 2012 09:14
POR: CNBB