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segunda-feira, 15 de setembro de 2014

Cientistas buscam criar “espermatozóide feminino”, para eliminar a necessidade do pai na reprodução!

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Cientistas britânicos afirmam ter criado espermatozoides a partir de células-tronco da medula óssea feminina – abrindo caminho para o fim da necessidade do pai na reprodução.

A experiência vem sendo desenvolvida por especialistas da Universidade de New Castle que, em abril do ano passado, anunciaram ter conseguido transformar células-tronco da medula óssea de homens  adultos em espermatozoides imaturos.

Em entrevista à última edição  da revista New Scientist, Karim Nayernia, um dos pesquisadores envolvidos no estudo, disse que agora os cientistas repetiram a experiência com células-tronco da medula óssea de mulheres, podendo “abrir caminho para a criação do espermatozoide feminino”.

No trabalho, ainda não publicado, Nayernia disse à New Scientist estar esperando a “permissão ética ” da universidade para dar continuidade ao trabalho, que consistiria em submeter os espermatozoides primitivos à meiose, um processo que permitiria a maturação do espermatozoide, tornando-o apto para a fertilização.

“Em princípio, eu acredito que isso seja cientificamente possível”, disse Nayernia.

O estudo, afirma a revista, poderia possibilitar que um dia, casais de lésbicas poderão ter filhos sem a necessidade de um homem, já que o espermatozóide de uma mulher  poderia fertilizar o óvulo da outra.

(Fonte: http://portalsantoandreemfoco.com.br)

Nota do Blog Vida sem Dúvida:

É muito importante nos voltarmos para a verdade inscrita na natureza humana no que diz respeito aos aspectos presentes no ato conjugal. Não precisamos de grandes reflexões e análises rigorosas para concluirmos que a reprodução humana tem aspectos intrínsecos intocáveis. Substituir o papel do homem ou da mulher é ferir o cerne da reprodução e arrancar todo seu sentido. A fecundidade do ato conjugal está objetivamente ligada ao fato deste envolver macho e fêmea, cuja transmissão da vida foi confiada por Deus.

Nunca podemos esquecer que, “pela sua estrutura íntima, o ato conjugal, ao mesmo tempo que une profundamente os esposos, torna-os aptos para a geração de novas vidas, segundo leis inscritas no próprio ser do homem e da mulher. Salvaguardando estes dois aspectos essenciais, unitivo e procriador, o ato conjugal conserva integralmente o sentido de amor mútuo e verdadeiro e a sua ordenação para a altíssima vocação do homem para a paternidade… um ato de amor recíproco, que prejudique a disponibilidade para transmitir a vida que Deus Criador de todas as coisas nele inseriu segundo leis particulares, está em contradição com o desígnio constitutivo do casamento e com a vontade do Autor da vida humana. Usar deste dom divino, destruindo o seu significado e a sua finalidade, ainda que só parcialmente, é estar em contradição com a natureza do homem, bem como com a da mulher e da sua relação mais íntima; e, por conseguinte, é estar em contradição com o plano de Deus e com a sua vontade.” (Papa Paulo VI – Humanae Vitae n.12 e 13)

(http://blog.comshalom.org/vidasemduvida)

Caso de menina com três pais biológicos: Perito denuncia que a vida humana está sendo convertida em um “produto”

Imagem referencial. Foto: Domínio Público.

LIMA, 03 Set. 14 / 02:19 pm (ACI/EWTN Noticias).- Alana Saarinen, atualmente de 13 anos, é uma das poucas pessoas no mundo que tem o DNA de três pessoas, três “pais” diferentes, devido a um tratamento de fertilidade realizado nos Estados Unidos que atualmente está proibido. Entretanto, os parlamentares do Reino Unido estão considerando atualmente legalizá-lo.

O processo mediante o qual a mãe de Alana, Shanon, ficou grávida se chama “transferência citoplasmática”, no qual se injeta um óvulo de uma doadora dentro do óvulo da mãe para melhorar a saúde do óvulo. No processo, o DNA da doadora se filtrou através das mitocôndrias transferidas e chegou até Alana.

As mitocôndrias são organelas celulares que são a fonte de energia das células.

Sharon Saarinen confessou ao jornal britânico The Independent que durante o procedimento “não importava se havia riscos. Eu queria tanto um filho nesse momento”.

"Eu me sentia inútil. Sentia-me culpada por não poder dar um filho a meu marido. Como queria um filho biológico mas não podia tê-lo, estava desconsolada. Não podia dormir, estava constantemente na minha cabeça", assinalou Sharon, segundo declarações recolhidas pela BBC.

De acordo com os cientistas envolvidos, a técnica usada com Sharon Saarinen permitiria ajudar as mulheres com mitocôndrias deficientes, para que este defeito, que pode causar diversas doenças, não seja passado para os seus bebês.

Entretanto, o diretor do Centro de “Bioética, Pessoa e Família” da Argentina, Nicolás Laferriere, advertiu que “a pretensão de recorrer à fecundação in vitro para modificar geneticamente as características da descendência suporta necessariamente uma manipulação indevida da vida humana”.

Em declarações feitas ao Grupo ACI no dia 2 de setembro, Laferriere criticou que “pretende justificar a concepção de crianças com três pais com base na intenção de evitar transmitir uma doença, é manipular a vida do novo ser de forma que se converta no ‘produto’ de um ato técnico”.

“Isso é contrário à dignidade humana. Abusa-se do poder biotecnológico e o aplica à procriação humana, que fica regida por uma lógica de produção no lugar da lógica de gratuidade que a dignidade humana exige".

O diretor do Centro de “Bioética, Pessoa e Família” da Argentina assinalou que “entre as questões que estão em jogo encontra-se, também, o direito à identidade das crianças concebidas com esta técnica, que têm elementos importantes de sua identidade sendo manipulados e dissociados".

(Fonte: http://www.acidigital.com/noticias/)

sábado, 12 de abril de 2014

O Vaticano quebra o silêncio na conferência sobre igualdade de gênero na ONU

Antes do início da Comissão sobre o Status da Mulher – reunião anual com duração de duas semanas que conta com representantes dos Estados membros da ONU para discutir os progressos no sentido da igualdade de gênero e empoderamento da mulher –, houve uma inquietação no aparente silêncio do Vaticano sobre o teor do documento final da conferência.

A reportagem é de Liz Ford, publicada pelo jornal The Guardian, 20-03-2014. A tradução é de Isaque Gomes Correa.

Teria a Santa Sé, que possui acento na ONU como Estado observador permanente não membro, decidido ficar fora das discussões este ano? Estaria ela discretamente influenciando as ações de países com grande população católica sem se expor? Teria ela entrado nas negociações tardiamente? Parece que a opção foi por este último.

Nesta semana a Santa Sé se apresentou nos debates exigindo a retirada, no documento final da Comissão sobre o Status da Mulher, das referências às profissionais do sexo, aos direitos das lésbicas, gays, transexuais e bissexuais, além do palavreado envolvendo os direitos sexuais e direitos reprodutivos – em particular o relacionado ao aborto e à educação sexual. Também compreende-se querer que o documento relacionado inclua referências explícitas à importância da família. Quando o Vaticano fala sobre este assunto, ele quer dizer em sentido tradicional, nuclear: um homem, uma mulher e seus filhos.

Embora não haja motivo algum para crer que estas exigências atrapalhem as negociações – o Vaticano publicou comunicados relacionados aos direitos sexuais e direitos reprodutivos no ano passado, mas, após uma batalha, um contundente documento resultou da Comissão –, a referência particular à “família” desencadeou alguns pontos a seres observados.

Os defensores dos direitos da mulher afirmam que a formulação usada ao se falar sobre a família pode reforçar os papéis e estereótipos de gênero: as mulheres como esposas, mães, donas de casa. E pode também ignorar a diversidade das famílias: famílias monoparentais, casas chefiadas por filho ou por mulher, ou famílias homoafetivas.

Os defensores aqui sustentam o acréscimo de um parágrafo apenas, que estaria relacionado ao papel da família: o reconhecimento de sua diversidade.

Os defensores dos direitos da mulher estão acostumados com as lutas, em particular contra o Vaticano, contra outros grupos religiosos e governos mais conservadores. Mas há um sentimento de que, este ano, o Vaticano esteja começando a perder um pouco de sua influência.

Shannon Kowalski, diretora de defesa e política na Coalizão Internacional pela Saúde da Mulher, diz que um resultado positivo vindo da conferência dos Estados latino-americanos e caribenhos – que concordaram em fortalecer as políticas em favor das mulheres em suas sociedades – é o isolamento da Santa Sé quanto à sua base tradicional de apoio.

Kowalski afirma que não se incomoda com as exortações vaticanas sobre os direitos sexuais e direitos reprodutivos, mas teme que problemas possam vir de um outro lado. A União Europeia e os Estados Unidos não estão felizes com o que se diz em torno do comércio, da justiça econômica da mulher e da mudança climática.

“Estamos começando a assistir um monte de debates tradicionais de norte a sul sobre o comércio, sobre a mudança climática e outros assuntos”, diz ela. “Estes têm mais potencial para barrar as negociações”.

Outras forças contrárias vêm do bloco de países africanos, que mais uma vez ficaram do lado da cláusula de soberania, que, com efeito, é uma carta na manga dos governos que lhes permite assinar o documento final, ignorando os aspectos dos quais não gostam: em geral, os aspectos que poderiam potencialmente restringir práticas culturais e religiosas. Um parágrafo semelhante de soberania foi incluído no documento do ano passado, porém foi retirado ao final sob a condição de que as referências às profissionais do sexo, e aos direitos das lésbicas, dos gays, bissexuais e transgêneros fossem também retiradas. Um acordo similar é esperado este ano.

Também há uma batalha sobre as referências a financiamentos para organizações de direitos da mulher. Entende-se que o Reino Unido esteja defendendo um tom mais forte aqui, em comparação a países – entre estes os EUA, a Rússia e os Estados caribenhos – que querem uma linguagem mais diluída.

Claro, há muitos aspectos positivos no projeto de texto sobre os quais há amplo acordo: uma meta independente sobre a igualde de gênero a ser incluída nas próximas metas de desenvolvimento após 2015; claras referências à proteção da mulher e meninas contra a violência, incluindo o fim a práticas nocivas tais como mutilação genital feminina, casamento infantil e crimes “de honra”; a proteção aos ativistas dos direitos da mulher no trabalho; e o cumprimento do papel crucial que as mulheres desempenham nas negociações de paz e segurança. O documento final deve sair em 21 de março.

Embora ninguém irá ser complacente, os pequenos sinais de que estão perdendo força os que lutam para combater os direitos das mulheres duramente conquistados serão animadores para os ativistas. No futuro isso poderá significar que menos tempo perdido em discutir o palavreado será o mesmo que ter mais tempo para discutir a implementação de políticas e garantir que os governos se responsabilizem, o que serão ótimas notícias para as mulheres de todo o mundo.

quarta-feira, 19 de março de 2014

"Unisex: a criação do homem sem identidade"

Roma, 13 de Março de 2014 (Zenit.org) Anna Fusina.

"Unisex - A criação do homem sem identidade" é o título do ensaio publicado recentemente pela Editora Arianna e escrito por Gianluca Marletta e Enrica Perucchietti. Um título interessante para explicar o que é realmente essa ideologia de gênero que está sendo imposta cada vez mais e esclarecer quais são os seus objetivos e que tipo de mundo ela está preparando para as novas gerações. Conversamos com um dos autores, Gianluca Marletta, professor de literatura, estudante de antropologia e autor de inúmeros ensaios de sucesso.

Profº Marletta, estamos rumando para a criação de um novo homem "sem identidade"?

Marletta: "Estamos rumando" talvez não seja a frase mais exata: não estamos rumando, e sim "sendo empurrados"... Não há muito de espontâneo em certos processos culturais. Aqui nós temos simplesmente o envolvimento gigantesco de poderes, autoridades políticas e, especialmente, colossos econômicos que, dia após dia, nos empurram para uma "reformulação" da própria ideia de humanidade. Uma humanidade que eles querem que seja desestruturada e desprovida de toda forma de identidade. O que eles estão tentando criar é uma redefinição de homem, o mais desprovido possível de pontos de referência e de apoio, que são a religião, a família, mais do que a identidade sexual... É por esta razão que é tão forte, em certos círculos, uma ideologia como a de gênero, que propõe a aniquilação da identidade, uma sexualidade fluida, ambígua e polimórfica, a negação do dado objetivo da natureza.

Como é que nasceu a ideologia de gênero e quais são as etapas desse projeto de aniquilar as diferenças?

Marletta: A ideologia de gênero nasceu nos Estados Unidos nas décadas de 1950 e 1960 e, pelo menos inicialmente, não era nada mais que a ideologia de referência de alguns grupos de feministas e do nascente movimento homossexual. A ideologia de gênero afirma que não existe uma identidade sexual definida no ser humano, mas que os chamados "gêneros" (masculino, feminino, gay, lésbica, transgênero) são apenas manifestações de uma sexualidade "fluida" e naturalmente "polimorfa" (não é por acaso que John Money, o verdadeiro pai da ideologia de gênero, também era cirurgião especializado em operações de "mudança de sexo", que ele recomendava e fazia inclusive em pacientes menores de idade e até mesmo em crianças). Até a década de 1970, a ideologia ficou restrita a nichos, mas começou a “colonizar” os “andares superiores” da política norte-americana no governo de Bill Clinton. Dali ela entrou na ONU como ideologia de referência das grandes “quermesses” internacionais de saúde reprodutiva (não é coincidência que, naquele período, o termo "sexo" foi expurgado dos documentos oficiais e substituído pelo termo "gênero").

Estamos assistindo hoje a uma campanha social, antropológica e midiática destinada a reforçar a ideologia de gênero. Quem orquestra tudo isso e com que estratégias?

Marletta: No Ocidente, a mobilização em prol da ideologia de gênero é impressionante hoje em dia: é uma operação de manipulação em massa sem precedentes, realizada com todos os meios disponibilizados pela mídia, pela propaganda e pela política. Os grandes financiadores são, com certeza, a Fundação Rockefeller (que já era a principal financiadora de todas as campanhas pró-aborto nas décadas de 1970 e 1980), os grupos ligados ao magnata George Soros, além de grandes trustes e institutos econômicos do mundo ocidental, entre os quais a Motorola, a Kodak, o Goldman Sachs, o JP Morgan, a Fundação Ford. Em nossa opinião, o objetivo desta mobilização sem precedentes é o projeto de "nova ordem mundial", tão caro aos poderes ocidentais, que, necessariamente, implica uma redução ou dissolução das identidades tradicionais. Destruir as identidades (religiosas, humanas, sociais) para criar um perfeito "melting pot": parece que é este o objetivo de certas elites.

Há relações entre a ideologia de gênero e a pedofilia?

Marletta: De acordo com John Money e com os ideólogos do gênero, a pedofilia é apenas uma expressão particular de uma sexualidade polimorfa, que deve ser "experimentada em todos os níveis e em todas as idades", e, portanto, deveria ser aceita. Os atuais promotores da ideologia de gênero não dizem isso em público, acho eu, apenas por uma questão de "oportunidade" e porque, do ponto de vista deles, os tempos ainda não estão “maduros”... De resto, na América do Norte, faz anos que uma organização declaradamente pró-pedofilia, a NAMBLA (North America Man​​&Boy Love Association) desfila nas paradas do orgulho gay. E até hoje, o clube mais importante de "cultura homossexual" de Roma é dedicado a um certo Mario Mieli, que, nos seus livros, defendia a pedofilia a ferro e fogo como "expressão de liberdade".

E qual é o propósito do livro de vocês?

Marletta: Essencialmente, informar as pessoas sobre um tema de grande atualidade e, infelizmente, pouco conhecido. É preciso entender o que é a ideologia de gênero, o que ela procura, quais são os seus objetivos, para entendermos que tipo de mundo estão preparando para nós e para os nossos filhos.

segunda-feira, 11 de novembro de 2013

Eutanásia: uma definição em três pontos

Glossário de Bioética: a "doce morte" acabou significando também "dar morte a uma pessoa com prognóstico negativo"; uma "morte rápida", porém, não é sinônimo de "morte digna".

A “morte doce” acabou significando "dar morte a uma pessoa com prognóstico negativo", embora a "morte rápida" não seja sinônimo de "morte com dignidade": pode ser entendida como "morte doce”, afinal, aquela que é vivida com coragem e na companhia dos entes queridos; facilitar a morte de alguém é um ato prejudicial ao corpo social, diferentemente da suspensão de cuidados desnecessários, dos quais ela deve ser bem diferenciada.

Realismo

Literalmente, eutanásia significa "morte doce"; na linguagem comum, ela significa "morte provocada (a fim de evitar o sofrimento grave)", que mal se distingue do suicídio assistido de uma pessoa que consente nessa prática. Dentro do contexto da eutanásia, inclui-se a suspensão da assistência médica voltada a salvar a vida, ou seja, a determinação de não reanimar o paciente caso haja risco urgente para a vida, ou de suprimir os medicamentos e até mesmo a hidratação e a alimentação. Fala-se, assim, de eutanásia ativa e passiva (ou omissiva).

A razão

A eutanásia realmente preserva a dignidade da pessoa? Seu objetivo declarado é duplo: evitar o sofrimento e a possível diminuição da dignidade da pessoa. Entretanto, para combater o sofrimento existem excelentes medicamentos; já a questão da dignidade da pessoa é mais complexa: haverá mesmo algo que diminua a dignidade de uma pessoa? Morrer de velhice é mais digno que morrer de câncer?

A dignidade humana é inerente à pessoa, em qualquer situação, em qualquer idade, em qualquer estado de saúde ou de desenvolvimento sócio-econômico. É um mito a ideia de que seja preciso criar situações para preservá-la, já que nada a elimina, nem mesmo o pior dos algozes. Ao contrário: é obrigação moral de todos respeitá-la. Esse mito vem da ideia de que ser dependente dos outros, principalmente em casos extremos de dependência, não seria "digno do ser humano", que, na sociedade pós-moderna, é visto como aquele que tem uma característica fundamental e suprema: a autonomia, a independência. Qualquer coisa que diminua ou elimine a autonomia é hoje considerado como um ataque contra o status do ser humano, levando-o inclusive a perder o título de "pessoa": seria o caso da criança, do embrião, do ancião ou do doente mental que depende dos outros.

O que deve ser assegurado de todas as maneiras é que a pessoa receba todos os cuidados a que tem direito, incluindo os paliativos, e que transcorra a etapa final da vida nas condições mais serenas possíveis. A questão, assim, é “ajudar a morrer bem”, o que não significa "decidir quando", mas "como": isto é, no melhor ambiente e com o melhor atendimento e companhia. A eutanásia é apenas um atalho para não se abordar o problema dos direitos reais do moribundo.

De que tipo de cultura nasce a ideia de escolher quando morrer? O slogan "Eu decido quando e onde morrer" é um exagero com propósitos polêmicos. Pouquíssima gente ficará paralisada sem poder expressar a própria opinião e precisando de alguém que lhe escolha o tratamento médico adequado. Esse slogan nasce também de uma cultura de autonomia extrema, na qual o meu valor reside na minha capacidade de me autogerir: é claro que isto é bom, mas não diminui o valor da pessoa que precisa ser cuidada até nas necessidades mais simples. Suspender o tratamento é válido apenas se o tratamento é insuportável ​​ou não é eficaz.

O sentimento

Não se pode supor que qualquer um vá decidir antecipadamente o que escolher quando estiver doente. Mas há um aspecto social que precisa ser levado em conta: o cuidado das pessoas gravemente doentes deve ser uma exigência legal das autoridades locais e do Estado, que devem facilitar a situação das famílias e dos indivíduos. Hipocrisia é falar contra a eutanásia fingindo-se que a pessoa deprimida ou idosa não é abandonada pela sociedade. Ao mesmo tempo, é muito fácil para o Estado simplesmente permitir a eutanásia em vez de dar o melhor das suas possibilidades para ajudar os doentes.

(Roma, 06 de Novembro de 2013 (Zenit.org) Carlo Bellieni)

segunda-feira, 4 de novembro de 2013

Cientistas espanhóis criam pela primeira vez pele artificial do cordão umbilical

Cientistas espanhóis, pertencentes ao grupo de pesquisa de engenharia tissular do departamento de Histologia da Universidade de Granada (UGR), conseguiram construir pele artificial pela primeira vez a partir de células-tronco procedentes do cordão umbilical.
Seu trabalho, que publica a prestigiosa revista ‘Stem cells translational medicine’, demonstra a capacidade que têm as células-tronco mesenquimais da gelatina de Wharton do cordão umbilical para diferenciar-se em células epiteliais e constituir epitélios de revestimento de pele e de mucosa oral.

Para construir a pele artificial, os pesquisadores utilizaram, além deste novo tipo de epitélio de revestimento, um biomaterial de agarose-fibrina previamente desenhado e desenvolvido pelo grupo granadino.

A pesquisa foi realizada nos laboratórios da Faculdade de Medicina e na Unidade Experimental do Hospital Universitário Virgen de las Nieves do Complexo Hospitalar de Granada, informa a UGR.

Estudos prévios deste mesmo grupo de pesquisa, que foram já premiados no Congresso Mundial de Engenharia Tissular celebrado faz uns meses em Seul, sugeriam já a possibilidade de que as células de Wharton do cordão umbilical, pudessem converter-se em células epiteliais.

O presente trabalho é a confirmação desses estudos iniciais e sua aplicação a duas estruturas de revestimento, a pele e a mucosa oral, cada vez mais demandadas para reparar as lesões existentes nessas localizações corporais.

Uso imediato
Um dos problemas que apresentam na atualidade os grandes queimados é que, para aplicar os atuais modelos de pele artificial, é necessário esperar várias semanas para poder fabricá-la a partir dos restos de pele sã do próprio paciente.

“A criação deste novo modelo de pele com células do cordão umbilical, que poderia estar conservada e disponível nos bancos de tecidos, permitiria o possível uso imediato da mesma, uma vez produzidas as lesões, o que adiantaria várias semanas a aplicação de uma pele artificial”, explica Antônio Campos, catedrático de Histologia da Universidade de Granada e um dos autores deste trabalho.

No trabalho, além dos pesquisadores do grupo de engenharia tissular do departamento de Histologia da Universidade de Granada (Ingrid, Garzón, Miguel González Andrades, Mª Carmen Sánchez Quevedo, Miguel Alaminos e Antonio Campos), colaboraram pesquisadores do Departamento de Biologia Celular da Universidade de Granada (Ramón Carmona), da Universidade de Valência (Carmen Carda) e da Universidade de Florianópolis do Brasil (Juliano Miyake).

(Fonte: ACI Digital)

Membros da Comissão de Bioética reúnem-se em São Paulo

A defesa da vida foi tema de debate da reunião da Comissão de Bioética da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), realizada no dia 28 de outubro, em São Paulo. A comissão é composta por médicos, cientistas, juristas, filósofos e teólogos. Um dos principais pontos de trabalho referiu-se à “objeção de consciência”.

        Segundo o assessor da Comissão episcopal Pastoral para a Vida e Família, da CNBB, padre Rafael Fornasier, a questão da bioética gira em torno dos temas aborto, pesquisa em seres humanos, eutanásia e a ortotanásia, mas engloba outras pautas tão importantes como, por exemplo, a questão da objeção de consciência.“A objeção de consciência remete à consciência, ou seja, aquilo que a pessoa entende como moralmente lícito ou moralmente ilícito”, explica.

         A objeção de consciência significa que ninguém legalmente pode ser obrigado a fazer algo contra a consciência, especialmente ferindo seus valores morais e espirituais. “É um direito previsto na nossa constituição e em legislação internacional, que garante a não aplicação de determinadas leis que vão de encontro aos princípios da pessoa, quer sejam religiosos, filosóficos, morais e políticos”, justifica o assessor.

        Durante a reunião, outros assuntos referentes à bioética foram tratados. Na pauta esteve a campanha da fraternidade do ano que vem, que abordará o tráfico de órgãos. Também foram feitas sugestões para o subsídio Hora da Vida de 2014, que será redigido pelo Regional Sul 4. Para o ano que vem, estão previstas duas reuniões da Comissão, com a finalidade de organizar o seminário de aniversário de 20 anos da Evangelium Vitae.

(Fonte: CNBB)

quarta-feira, 30 de outubro de 2013

"Pobres cãezinhos" do laboratório da Royal

Análise ética sobre a questão da "libertação" dos "Beagle" no Brasil

Brasília, 25 de Outubro de 2013 (Zenit.org) Paulo Vasconcelos Jacobina

Houve, sem dúvida, um grande debate, esta semana, sobre a invasão ao laboratório da Royal e a “libertação” dos cãezinhos que ali eram criados para servir como cobaias em experimentos científicos. As reações variaram da revolta contra os malignos cientistas, que maltratavam os cãezinhos para “desenvolver batons”, até a indignação contra os manifestantes, por invadirem instalações particulares, depredarem experiências científicas de altíssimo custo e danificarem apropriarem-se de patrimônio alheio.

Estes são os limites dos debates. Em conversas privadas, ouvi muitos amigos manifestarem compaixão com os pequenos cães: “pobres cãezinhos”, diziam, “maltratados pelo ser humano maléfico, que só pensa em dominar e destruir os seres sencientes irmãos. Dói-me o coração”, dizia uma colega de elevada sensibilidade. Outro dizia: “que nada, você toma antibióticos por causa dessa experiência com cães. Vocês e todos os que são contra a manipulação de embriões humanos descartados deveriam assinar um termo renunciando a utilizar qualquer conquista científica que tenha nascido de experiências desse tipo, tanto para você como para seus filhos.” Ao que a primeira redarguiu: “há muitos cães mais valiosos que muitas pessoas, sabia? Deviam usar gente insensível como você para cobaia...”

A discussão, aqui, não se encaminha para os sentimentos nobres que podem existir em ambos os lados. Mas ao próprio fato de que, na contemporaneidade, os sentimentos sejam considerados como os únicos índices éticos. Entre os que elevam as vozes pelos “pobres cãezinhos”, sugerindo substituí-los por seres humanos insensíveis de coração ou cujo índice de inteligência seja menor do que o dos cães, e os que, pelo outro lado, convidam a renunciar a todas as conquistas científicas aqueles que, em nome de compaixão para com os cãezinhos, resolvem cometer metade dos crimes previstos no Código Penal para resgatá-los de experiências científicas, há um denominador comum: o emotivismo que passou a ser o único fundamento de qualquer ética em nossa sociedade.

É por isto que os únicos dois lados que são ouvidos nesta discussão debatem basicamente sobre argumentos emocionais e sentimentos. Quase não há espaço para ouvir aqueles que procuram razões e argumentos de outra ordem, de ordem realmente racional, para conduzir discussões de natureza ética.

Há, de fato, uma estranha incoerência na multiplicação dos radicais “corações ardentes” defensores de animais: uma esquisita seletividade com os animais que merecem proteção. Cães de rua, sarnentos e esquálidos, não desfrutam do mesmo status de cãezinhos “Beagle” de laboratório. De fato, dificilmente se pode ver tais figuras tão comuns nos nossos entornos urbanos despertarem instintos defensivos criminosos nas pessoas de bom coração. Tampouco o fazem os ratos, baratas, pulgas, carrapatos, mosquitos e escorpiões que habitam os esgotos, tão sujeitos a “holocaustos” periódicos por eliminadores de pragas.

Por outro lado, os que defendem incondicionalmente a pesquisa científica às vezes o fazem em tais termos que parecem elevá-las a um fim em si mesmo. Não hesitam em defender as pesquisas em embriões humanos, com a respectiva destruição, ou mesmo as manipulações e invasões no ser humano que o transformam num mero objeto da curiosidade científica alheia, e às vezes utilizando-se do mesmo argumento dos animalistas: que dignidade é esta que o ser humano quer alardear em seu favor e contra a ciência? Onde está escrita, senão em velhos e desprezíveis livros metafísicos e religiosos, cujo valor há muito foi descartado pela comunidade científica?

De fato, o que se grita, sob pretexto de amor pelos animais, é muitas vezes apenas a defesa de que os seres humanos, como tais, não têm o direito de usar animais, de eliminar suas vidas, de incomodá-los de qualquer forma em nome da sobrevivência ou do bem-estar humano. Quem são os humanos, perguntam-se, para acharem-se com direito aos animais? Onde encontraram fundamento para isto? Assim, os animais abandonados, mesmo que em condição de vida pior do que os animais de laboratório, não são objeto desta “compaixão intensa” porque não estão sendo diretamente vítimas da suposta “arrogância humana”, do “especismo” que nos faz escravizar animais em nosso próprio benefício. Somente os animais que estão, portanto, nesta suposta condição de escravidão mereceriam tal simpatia que justificaria a própria desconsideração às leis penais, supostamente “especistas” porque humanas. Não se trata, no fundo, para estes, de elevar os animais, mas de impedir que sobre eles se eleve qualquer pretensão de dignidade superior do ser humano.

Por outro lado, certos “defensores da ciência” tampouco vislumbram qualquer dignidade humana intrínseca, pois defendem a irrestrita possibilidade de pesquisa sob fundamentos irremediavelmente individualistas e emotivistas: os indivíduos que se opõem ao que eles consideram como “direitos inalienáveis da ciência” devem renunciar à própria possibilidade de beneficiar-se de seus avanços, que, no fundo, não pertenceriam à humanidade, mas a cada um que acredita incondicionalmente nesse status quase divinal da ciência – questioná-la, mesmo em nome de uma “dignidade humana”, é submetê-la a um julgamento alheio a ela mesma, por critérios supostamente “metafísicos” ou “religiosos”, e portanto, menos respeitáveis que a própria ciência que buscariam enquadrar; julgar a ciência pela ética seria, para eles, renunciar à própria ciência e suas pretensões de racionalidade exclusiva.

Precisamos, pois, resgatar o verdadeiro humanismo: aquele que crê na ciência como meio de elevação do homem, e não o contrário. Aquele que, embora veja dignidade nos animais - e os trate como criaturas respeitáveis, ao mesmo tempo declare que eles não são, como os seres humanos, um fim em si mesmo.  Trata-se, portanto, de declarar que os experimentos médicos e científicos em animais são práticas moralmente admissíveis, se permanecerem dentro dos limites razoáveis e contribuírem para curar ou salvar vidas humanas. E mesmo os experimentos com seres humanos somente são admissíveis se não perderem de vista essa dignidade: as pesquisas ou experiências no ser humano não podem legitimar atos em si mesmos contrários à dignidade das pessoas e à lei moral. Mesmo o consentimento eventual dos sujeitos não justifica tais atos. A experiência em seres humanos não é moralmente legítima se prescindir do respectivo consentimento explícito e informado do sujeito ou seus representantes legais, nos limites daquilo que, na pessoa humana, é disponível, e fizer a vida ou a integridade física e psíquica do sujeito correrem riscos desproporcionais ou evitáveis - o que inclui sua eliminação em qualquer estágio de vida, mesmo embrionária.

sexta-feira, 11 de outubro de 2013

Carta ao povo de Deus: “Vida sim, aborto não”


Os bispos e arcebispos, reunidos em Maringá na 34ª Assembleia do Povo de Deus do Regional Sul 2, tendo em vista a Semana Nacional da Vida que será realizada pela igreja do Brasil de 01 à 07 de outubro, culminando com o Dia do Nascituro no dia 8, emitiram a carta “Vida sim, aborto não”, onde dirigem-se aos fiéis e pessoas de boa vontade conclamando-os a participarem deste evento. “Trata-se de um clamor pela dignidade da vida humana, dom de Deus e direito inalienável do nascituro”.

Clique Aqui para ler a carta: CARTA AO POVO DE DEUS

quinta-feira, 10 de outubro de 2013

Seminário em Curitiba propôs conversa aberta sobre o início da vida


No dia 6 de outubro, último domingo, o auditório da biblioteca da Pontifícia Universidade Católica do Paraná – PUCPR foi o palco do 1° Seminário Arquidiocesano de Promoção e Valorização da Vida, organizado pela Arquidiocese de Curitiba. A proposta do seminário foi anunciar a cultura da vida e a criação humana como dom de Deus, em virtude da Semana Nacional da Vida, celebrada na primeira semana de outubro por toda a Igreja no Brasil.

Das 8h15 às 13h30, mais de 100 participantes e instituições que atuam com os olhos voltados para o desenvolvimento humano, conversaram e refletiram junto aos especialistas convidados sobre os conceitos biológico e antropológico relacionados com a vida embrionária, e sobre os dilemas da reprodução assistida.

A programação trouxe duas exposições. Uma delas com o Pe. José Rafael Solano, doutor em Teologia Moral, especialista em Bioética, professor da PUCPR (Campus Londrina) e assessor de Bioética do Regional Sul II da CNBB, que tratou do tema “Início da vida e dignidade do embrião humano”; e a outra com o professor Mário Antônio Sanches, doutor em Bioética e Teologia, mestre em Antropologia Social e coordenador do Mestrado em Bioética da PUCPR, que falou sobre “Bioética e reprodução assistida”, com a proposta de contextualizar o surgimento e evolução das técnicas de reprodução assistida em diálogo com a Bioética.

Mário Sanches defendeu em sua palestra que a informação sobre o tema deve ser apresentada de maneira transparente e objetiva. “Os casais que buscam a reprodução assistida têm que ser conscientizados sobre todos os problemas inerentes à técnica. A decisão não pode ser tomada sem que se tenha a plenitude de informação”, aponta Sanches. “Um exemplo é a possibilidade de sobra de embriões fertilizados, que ficarão no laboratório. E se o casal alegar motivos de consciência para não aceitar essa possibilidade? Eles precisam saber desse risco”, destaca.

Para o padre José Rafael Solano, além do conceito biológico do embrião, deve ser levado em conta o antropológico. “O embrião possui a vocação à vida. O conceito de pessoa humana é mal compreendido e, por isso, temos na Bioética espaço para que todas as correntes discutam e avancem no estudo da vida”, disse.

Durante o seminário ocorreu também o lançamento do livro “Bioética e Reprodução Assistida – Metaparentalidade”, escrito pelo palestrante do evento Mário Antônio Sanches. Na obra, ele trata de paternidade e maternidade, colocando em discussão o ato de ter filhos, que constitui um processo natural, privado e indefinido. Porém, com o surgimento das novas tecnologias de reprodução humana a realidade foi transformada. Para saber mais sobre o tema, entre em: http://www.gazetadopovo.com.br/blogs/blog-da-vida/.
Após as palestras, o seminário foi aberto ao debate com a mediação do Pe. Juarez Lopes Rangel, pós-graduado em Bioética e coordenador do Núcleo de Bioética  da Arquidiocese de Curitiba.

quinta-feira, 26 de setembro de 2013

"Que a lógica do lucro nunca coloque em risco a vida"

2013-09-25 Rádio Vaticana

Cidade do Vaticano (RV) – Realizou-se em Roma nesta quarta-feira (25), o Simpósio “Somos Raros...mas tantos. Doenças raras: fundamentos científicos e aspectos legislativos”, organizado pela “Associação Cultural Giuseppe Dossetti: os valores – desenvolvimento e Tutela dos Direitos”. Convidado pela Presidente da Associação, professora Ombretta Fumagalli Carulli, o Presidente do Pontifício Conselho da Pastoral para os Agentes de Saúde, Dom Zygmunt Zimowski, fez um pronunciamento no encontro que é realizado anualmente.


Dom Zimowski observou que “é necessário que todos colaborem para construir uma sociedade mais justa, que como sublinhou Papa Francisco em 27 de julho no Rio de janeiro, é conquistado através do esforço realizado por todos em favor do bem comum”, e isto é necessário “também no âmbito dos cuidados da saúde e das atividades pastorais para – e sobretudo com – os doentes, para que ninguém se sinta excluído do cuidado devido às pessoas e à sua saúde, no respeito da mesma dignidade de cada um”.
O Arcebispo citou então o discurso de João Paulo II dirigido aos participantes da XIV Conferência Internacional organizada pelo mesmo Dicastério em 1999, onde o Pontífice advertia não ser tolerável que os recursos econômicos limitados repercutam “nas faixas mais fracas da população e nas áreas do mundo mais pobres, privando-as dos necessários cuidados sanitários
A seguir, Dom Zimowski explicou que “as doenças raras são patologias que são assim definidas porque o número de pacientes identificados é inferior em determinados dados estatísticos, mas provocam particular sofrimento a quem é afetado por elas, devido às dificuldades de diagnose e de terapias que estas apresentam ainda hoje, também nos países economicamente, cientificamente e tecnologicamente mais avançados”.

O Presidente do Pontifício Conselho da Pastoral para os Agentes de Saúde acrescentou que “uma vez identificada a doença e estabelecida a terapia, muito freqüentemente, não existem ou não estão disponíveis os remédios necessários à cura, pela baixa requisição destes remédios”.

Dentro desta perspectiva, Dom Zimowski recordou as palavras de João Paulo II, que lançou um apelo especial “aos governantes e aos organismos internacionais, para que, ao enfrentarem a relação entre economia e saúde, deixem-se guiar unicamente pela busca do bem comum. Às indústria farmacêuticas, peço que não prevaleça nunca o lucro em relação aos valore humanos”.
Por fim, recordou que a “Santa Sé, há muitos anos está em primeira linha em pedir que as lógicas do lucro não coloquem nunca em perigo a vida, a saúde integral da pessoa, nem o respeito à dignidade das pessoas e das populações” e pediu às autoridades e expoentes dos governos para que empenhem-se sempre mais em garantir um acesso igualitário aos cuidados sanitários a nível internacional e nacional, incluindo as doenças raras, “um esforço ao qual devem participar todas as pessoas de boa vontade, os agentes de saúde e as indústrias farmacêuticas”.

O Presidente do Pontifício Conselho da Pastoral para os Agentes de Saúde, recordou que o dicastério promove de 21 a 23 de novembro próximo, no Vaticano, a Conferência Internacional dedicada ao tema “A Igreja a serviço das pessoas idosas doentes: os cuidados com as pessoas afetadas por patologias neurodegenerativas”, convidando os presentes a participar do encontro.(JE)

terça-feira, 24 de setembro de 2013

Diagnóstico genético pré-natal: a definição em três pontos

Glossário de Bioética: avaliação do número e do tipo dos cromossomos de um embrião ou de um feto, 
que pode ser direta ou indireta e que não é eticamente neutra.

Diagnóstico genético pré-natal: é a avaliação do número e do tipo dos cromossomos de um embrião ou de um feto, que pode ser "direta" (com amostras de tecidos fetais) ou "indireta" (hormônios maternos, exame ecográfico) e que não é eticamente neutra, posto que o ato de realizá-lo já abre a possibilidade de se fazerem escolhas quanto à vida ou à morte do feto.

O realismo

O diagnóstico genético pré-natal é a avaliação do estado cromossômica do feto, com o objetivo de descobrir possíveis doenças que atualmente não têm cura.

Pode ser executado diretamente, através da análise de células fetais, ou indiretamente, com ecografias direcionadas a procurar sinais de anomalias genéticas ou mediante a mensuração dos níveis de hormônio no sangue da mãe.

Não se trata do simples exame pré-natal normal, que tem intenções curativas. Estamos tratando, aqui, de dois sujeitos: o filho e a mãe. O feto que recebe o diagnóstico genético é, de fato, um ser vivo, o que nos coloca diante de um paradoxo: é realizado o diagnóstico do sujeito A, sem que ele tenha pedido, em interesse do sujeito B.

E por estarem em questão doenças que não podem ser tratadas, há quem considere que esse tipo de diagnóstico é uma intromissão ilícita na privacidade genética do indivíduo. O risco de morte fetal como "efeito colateral" é relevante: de 5 a 10 por cada 1.000.

Por mais que a mulher grávida esteja ansiosa para saber qual é a condição genética do feto e assim tentar reduzir essa ansiedade, o diagnóstico pode ser o resultado de um desejo de controle sobre a criança, que vai muito além do período pré-natal e que pode acabar levando à interrupção da gravidez em caso de constatação de anomalia genética.

A razão

Há um pré-juízo em favor da mulher ou da criança? O desejo de justiça nos leva a considerar tanto os interesses da mulher quanto os da criança: ambos devem ser considerados com cuidado e sem preconceitos.

O desejo de beleza pode nos levar a considerar erroneamente a beleza como apenas um fator estético e, erroneamente, como a ausência de anomalias: muitos nos mostram que a diversidade e a diferença são uma riqueza, mesmo quando exigem esforço e cuidados. É compreensível a ansiedade das mulheres numa sociedade que coloca a beleza estética como princípio supremo, que não presta ajudas sociais nem econômicas aos portadores de deficiências, que pressiona culturalmente ao diagnóstico genético pré-natal; por isso, em caso de forte angústia, pode-se até entender a importância de uma avaliação genética, mas é difícil aceitar a sua justificação como procedimento rotineiro.

Que tipo de cultura produz a propagação do diagnóstico genético pré-natal como rotina? Provavelmente, a ansiedade generalizada na população: os filhos, hoje, são filhos únicos, e não se aceita nenhum resultado da gravidez que não seja a suposta "perfeição". O problema não está no casal, mas na cultura geral, que moldou uma geração que só sabe se aceitar se estiver de acordo com os cânones estéticos e econômicos propagandeados pela mídia, devido à falta de apoio social e cultural aos doentes.

O paradoxo é que, enquanto a possibilidade do filho "diferente" leva quase todos a quererem averiguá-la antes do parto, com alto índice de abortos de crianças com possíveis deficiências, os pais que têm filhos doentes apresentam uma capacidade de sacrifício e de criatividade excepcional, apesar do abandono em que muitas vezes são obrigados a viver.

O sentimento

O primeiro pensamento de muitos, tão logo descobrem uma gravidez, é: “Vamos ter esse filho?”.

É um sinal de alarme: é um modo medroso de pensar sobre nós mesmos e sobre a vida. Se o estado de ansiedade é tão grande, então que seja avaliada a presença de doenças genéticas fetais, como informação importante para se gerenciar o estado de ansiedade. Mas para aqueles que consideram que a vida é sagrada, pensar em fazer um aborto já é uma grave contradição. Antes de fazer os diagnósticos genéticos, portanto, é preciso pensar muito bem.

Roma, 19 de Setembro de 2013 (Zenit.org) Carlo Bellieni

É necessário ressaltar as bases antropológicas da família

O congresso internacional “Os Direitos da Família no Mundo Contemporâneo” foi apresentado hoje na sala de imprensa do Vaticano. Começou ontem e prosseguirá até amanhã, dia 21, organizado pelo Pontifício Conselho para a Família. Participam cerca de 200 juristas de vários países, para repropor a “Carta dos Direitos da Família”, desejada há trinta anos pelos padres conciliares.

O tema foi apresentado pelo cardeal Francesco Coccopalmiero, presidente do Pontifício Conselho para os Textos Legislativos; por dom Vincenzo Paglia, presidente do Pontifício Conselho para a Família; e pela Dra. Helen Alvaré, professora da Universidade George Masson, de Washington.

O cardeal Coccopalmiero ressaltou que é importante debater sobre a família porque “alguns anos atrás havia quem considerasse que a doutrina cristã sobre a família era verdadeira, mas não a aceitavam porque achavam a prática muito difícil, e hoje não a aceitam por motivos teóricos”.

O purpurado enfatizou que a família é, antes de tudo, um edifício feito de muitos tijolos, que a cultura de hoje desconstruiu e fez com que os tijolos não construam mais um edifício: "Eles falam de matrimônio, família, filiação, mas sem o edifício".

Daí a necessidade de repropor a doutrina da família, começando pelos crentes, mas sem esquecer que temos uma cultura na qual pressupomos a falta de fé e a não-confessionalidade do legislador. “Para esses interlocutores, temos que propor a fé cristã no casamento e na família mostrando principalmente os valores humanos e antropológicos que estão na doutrina cristã. Por isso, é necessário valorizar os conteúdos antropológicos. E quem tem inteligência deveria entender esses elementos”, afirmou Coccopalmiero.

Ele recordou também o que o cardeal Martini dizia, de modo provocador: “Mais do que crentes, eu preciso de gente que pense, porque assim a mensagem da fé chegará também até eles”.

O congresso é organizado por um dicastério, o Pontifico Conselho para a Família, e por uma associação de juristas italianos, numa joint venture que acontece pela primeira vez. “Uma associação que serve como ponte entre a doutrina e a cultura, e que nós achamos providencial”, comentou o purpurado.

Dom Paglia disse, por sua vez, que desde que a Carta da Família foi publicada, há 30 anos, “o mundo mudou, mas esses princípios são fundamentais até hoje”. Paglia destacou alguns pontos, como o direito da família de evitar a invasão dramática da mídia na intimidade dos filhos, além de direitos diversos como o de manter os idosos no seio das famílias e o de preservar o trabalho das pessoas com deficiências. Ele falou ainda sobre a remuneração digna para se cuidar adequadamente de todos os filhos, sobre o reconhecimento do trabalho da mulher no lar, sobre a moradia digna de acordo com o número de membros e sobre a necessidade de as famílias de migrantes terem os mesmos direitos das famílias locais.

Palha apresentou alguns desenhos de crianças, feitos num concurso que o Pontifício Conselho para a Família organizou nas escolas italianas. Os mais interessantes serão publicados no site, um para cada ponto da carta. “Todos têm o direito de ter uma casa, que lindo”, escreve uma das crianças na base do seu desenho de uma casa com lareira. “A casa é linda e eu gostaria que todos tivessem casa”, diz outro, desenhando a sua casa como “uma gruta igual à de Belém”. Dom Paglia comenta: "O problema da habitação afeta mais de 95 por cento da população mundial. Os meios de comunicação falam pouco sobre isto".

Paglia complementa que o pontifício conselho quer, com esta iniciativa, se abrir um pouco mais para o público, porque a família abrange a todos, sem que ninguém fique excluído. Ele recorda que “este texto foi escrito por sugestão dos padres sinodais, que pediam que a família fosse reconhecida como sujeito do direito”, “sem inventar novos princípios, mas realizando uma operação cultural: elaborar de maneira técnica e jurídica esses direitos para propô-los à luz da legislação aos entes internacionais, começando pelas Nações Unidas e prosseguindo entre os diversos governos”.

A professora Alvaré recordou que a cultura sobre a família mudou profundamente nos últimos 30 anos e pediu uma política global que defenda a mulher, ressaltando o seu papel na família e a sua dignidade, bem como a importância do seu acesso à educação, já que, nos muitos lares sem a presença do pai, a mulher tem que trabalhar sozinha. Alvaré sugeriu que o documento também seja divulgado nas escolas.

Sobre a Itália e a discussão atual no país a propósito da lei da homofobia, o cardeal observou que “uma coisa é discriminar as pessoas homossexuais e outra é o direito a considerar que a homossexualidade não é boa”. “Os homossexuais contam com a nossa compreensão. Não deve haver homofobia contra as pessoas. Mas não consideramos correto esse modo de viver a sexualidade, que é diferente do que é proposto pela doutrina e pela fé cristã”.

Para ele, a lei deve esclarecer que quem discrimina as pessoas homossexuais age mal, mas não pode tachar de homofóbicos aqueles que agem e pensam de outro modo, como no caso do matrimônio. "Não podemos ser todos forçados a pensar que a homossexualidade é uma coisa positiva. Eu posso pensar que a homossexualidade é negativa, e mesmo assim respeitar os homossexuais”. O purpurado considera que, em certo sentido, a lei é supérflua, porque “já existem garantias suficientes na legislação atual”.

Dom Paglia observou que nos últimos anos cresceu mais a ideia do indivíduo que a da família, e que é necessário “dar força a esse 'nós' que encontra na família o seu primeiro coágulo”.

Roma,  (Zenit.org)


sexta-feira, 13 de setembro de 2013

Especial sobre Bioética e o Início da Vida

A entidade civil ACEHU promove encontro com a Dra Claudia Maria de Castro Batista, especialista em bioética

Uma aula especial sobre Bioética e o Início da Vida será apresentada amanhã, sexta-feira, 13 de setembro, na Universidade Federal de Minas Gerais - Campus Pampulha, às 12:00 horas. A aula será promovida pela ACEHU – Assistência, Cultura e Educação Humana – entidade civil beneficente, sem fins lucrativos, que promove atividades que visam a formação integral do individuo.  

A palestrante é a Dra Claudia Maria de Castro Batista, professora adjunta do Instituto de Ciências Biomédicas da UFRJ. Estudou biologia na Universidade Federal do Rio de Janeiro, mestrado na Universidade de São Paulo, doutorado em neurobiologia pela UFRJ, pós- doutorado na University of Toronto, na área de biologia de células-tronco no cérebro.

Em entrevista à ZENIT publicada em 2012 a Dra Claudia explicou que o termo Bioética começou a ser usado amplamente a partir do livro lançado em 1971, "Bioética: Ponte para o Futuro", do biólogo e oncologista americano Van R. Potter. Nasceu da necessidade de se deslocar a discussão acerca dos novos problemas impostos pelo desenvolvimento tecnológico, de um viés mais tecnicista para um caminho mais pautado pelo humanismo, superando a dicotomia entre os fatos explicáveis pela ciência e os valores estudáveis pela ética.

O critério ético fundamental expresso na Instrução Donum Vitae, elaborada pelo Vaticano para avaliar todas as questões morais relativas às intervenções sobre o embrião humano, afirma que "o fruto da geração humana, desde o primeiro momento da sua existência, isto é, a partir da constituição do zigoto, exige o respeito incondicional que é moralmente devido ao ser humano na sua totalidade corporal e espiritual. O ser humano deve ser respeitado e tratado como pessoa desde a sua concepção e, por isso, desde esse mesmo momento devem ser-lhe reconhecidos os direitos da pessoa, entre os quais e antes de tudo, o direito inviolável de cada ser humano inocente à vida”, recordou Claudia durante o primeiro simpósio de bioética realizado no Congresso Eucarístico que aconteceu em Brasília em 2010.

A aula faz parte do programa elaborado para as voluntárias e estudantes do Projeto de Saúde da Mulher trabalhadora e para a Liga de Saúde Coletiva, mas será aberta a todas as pessoas interessadas no assunto.

Fortaleza, 12 de Setembro de 2013 (Zenit.org) Maria Emilia Marega Pacheco

Contracepção: a definição em 3 pontos

Para o Glossário de Bioética, trata-se dos meios para evitar a fecundação e não deve ser confundida com o aborto

Contracepção: meios empregados para impedir a fecundação, a recepção do espermatozoide pelo óvulo que leva ao surgimento do embrião, e não deve ser confundida com o aborto, que, por sua vez, impede a implantação no útero ou o desenvolvimento de um embrião; sua utilização rotineira é resultado de uma postura social que considera os filhos não como o fruto natural de um casal, mas como uma possibilidade facultativa.

Realismo

A contracepção é a utilização de meios para impedir a concepção. Ela se opõe à acceptio, que é o acolhimento. Existe uma contracepção química, feita com drogas como a pílula, e uma mecânica, feita com instrumentos como o preservativo. Uma vez ocorrida a concepção, ou seja, a união das células masculina e feminina, já não se fala de contracepção: os vários fármacos que bloqueiam a implantação do embrião no útero não são anticoncepcionais, mas sim abortivos.

A razão

Em que tipo de cultura se verifica este fenômeno? A contracepção é uma prática muito comum, especialmente nos países ditos avançados. Ela permite o controle da concepção e, como resultado, o controle dos nascimentos. Por este motivo, disseminou-se rapidamente num contexto em que a entrada das mulheres no mercado de trabalho levava à limitação das escolhas reprodutivas, o que tinha sido quase ignorado durante os séculos anteriores, nos quais a chegada de um filho não era "planejada", mas apenas um fato fisiológico. A propagação da contracepção é uma função da política social e industrial, que vê com bons olhos a política do "filho único" e se espanta com a existência das famílias numerosas. A questão quanto à contracepção, portanto, é em primeiro lugar uma questão sobre o modelo cultural e industrial que está na sua base. Há uma fatia razoável da população que enxerga como uma imposição indesejada a política social das famílias reduzidas à mínima expressão. A contracepção é um fenômeno próprio de um processo cultural recente, mas forte, que mudou radicalmente a vida nos países ocidentais.

Ainda restam dúvidas sobre a segurança pessoal da mulher que usa meios anticoncepcionais? O site do Feminist Women Health Center,que certamente não é hostil aos anticoncepcionais, não hesita em recordar também as desvantagens físicas da pílula. O mesmo porém é indicado no site do Instituto Nacional do Câncer dos EUA. Por quê? Porque algum problema existe. E não é apenas de ordem moral.

O sentimento

Tentem fazer um julgamento sobre a contracepção olhando para uma criança. É claro que existem muitas dificuldades para se criar uma família, mastodaselas são recompensadas. O primeiro passo ao se pensar na família não pode ser um "NÃO". Famílias pequenas e vidas isoladas são o padrão que destrói os sonhos de procriação explicitamente manifestados pelos jovens, traduzindo-os em resignação ao padrão cultural ocidental. Para falar de contracepção, precisamos entender esse clima cultural: sem isto, falamos apenas de problemas técnicos. E a técnica não é tudo.

(Roma,  (Zenit.org) Carlo Bellieni)

terça-feira, 10 de setembro de 2013

Estudo com células-tronco pode curar hidrocefalia em fetos

Cientistas europeus e americanos podem ter encontrado uma cura para a hidrocefalia, transtorno que atinge cerca de três milhões de crianças por ano, ao substituir as células danificadas da crosta cerebral por células-tronco em cirurgia no período fetal.

A notícia foi dada à Agência Efe pelo pesquisador argentino Esteban Rodríguez, do Instituto de Anatomia, Histologia e Patologia da Universidade Austral do Chile, que participa na ilha espanhola de Fuerteventura (nas Canárias) do 26º Congresso da Sociedade Anatômica Espanhola.

A hidrocefalia é um acúmulo de líquido cefalorraquidiano dentro do cérebro e, segundo Rodríguez, "não é só um transtorno líquido, mas de todo o cérebro, pois produz um dano cerebral que, inclusive, é anterior à hidrocefalia".

O pesquisador explicou como acontece um caso de hidrocefalia congênita fetal: "Em condições normais o líquido cefalorraquidiano está em permanente circulação, a partir dos ventrículos laterais, onde é produzido, até onde se absorve. Quando há dificuldade de circulação ou produção do líquido, ele se acumula nas cavidades ventriculares, o que causa o crescimento da cabeça".

A doença neurológica afeta quase dois em cada mil recém- nascidos. Até hoje não havia sido encontrada cura para ela, que mata metade das vítimas em aproximadamente 15 anos. A medicina até agora só consegue fazer tratamentos que diminuam o dano cerebral cirurgicamente.

Já Rodríguez, que estuda a patologia há 15 anos, acredita ter descoberto o mecanismo de desenvolvimento da doença e atribui às células-tronco a possível via para a cura.

A pesquisa de sua equipe está centrada em mostrar que fetos hidrocefálicos, tanto humanos como animais, têm uma doença das células- tronco que desencadeia duas patologias: a hidrocefalia e o transtorno neuronal.
E a alternativa que buscam é "substituir essas células-tronco por células-tronco normais para que sigam criando neurônios que formam a crosta cerebral sem causar dano neurológico". As células-tronco para fazer neurônios poderiam ser extraídas de tecidos tanto do feto como da própria mãe e seriam transplantados em cirurgia.

A equipe é composta por sete centros de investigação de vários países e trabalha há dois anos com a possibilidade dos transplantes. A pesquisa ainda está em nível experimental, mas o cientista argentino acredita que se seguirem nesta linha com sucesso os primeiros resultados podem ser alcançados em um ano e meio.

"Se as células transplantadas vão para o lugar danificado e se diferenciam em neurônios, poderíamos realizar as primeiros tentativas em humanos", acredita.

Rodríguez alertou que, além da hidrocefalia congênita, existe a adquirida, que pode acometer qualquer pessoa em qualquer etapa da vida devido, por exemplo, à aparição de um tumor, e a normotensão registrada em idosos sem que eles tenham tido tumores prévios.

(http://noticias.bol.uol.com.br/ultimas-noticias/ciencia/2013/09/06/estudo-com-celulas-tronco-pode-curar-hidrocefalia-em-fetos.htm)

sexta-feira, 30 de agosto de 2013

* Você sabe porque quase não se fala mais em Células-tronco EMBRIONÁRIAS?

Aleteia
Vamos voltar um pouco no tempo: 2003. Em janeiro daquele ano, o ator tetraplégico Christopher Reeve, em sua cadeira de rodas, visitou a Austrália para promover a legalização da “clonagem terapêutica“. Segundo ele, isso era absolutamente necessário, para que muitos pacientes não morressem desnecessariamente. O ceticismo sobre o potencial das células-tronco embrionárias seria totalmente injustificado. “Isso é um mito”, disse ele à sua audiência australiana. “Isso não é verdade. Não deixe ninguém lhe dizer que é um sonho fantástico.”

Em julho daquele ano, o New England Journal of Medicine, importante revista médica internacional, publicou um artigo sobre a “promessa de cura universal” com células-tronco embrionárias.

Em resumo, as pessoas estavam animadas. Tão animadas, na verdade, que, em 2005, a Austrália aprovou uma lei permitindo a “clonagem terapêutica” para fins de pesquisa.

É difícil recapturar a intensidade desse debate, na Austrália e em outros lugares. A causa era urgente. “Perdemos muito tempo já, e eu realmente não posso suportar perder mais”, disse a ex-primeira-dama Nancy Reagan. Os cientistas tornaram-se ativistas políticos. Eles pressionaram os políticos e insistiram em que a clonagem terapêutica levaria à cura do Parkinson, Alzheimer e diabetes.

Dissidentes sustentaram que as células-tronco adultas já ofereciam caminhos éticos para a cura e que as células-tronco embrionárias nunca funcionariam. Afirmavam que embriões são seres humanos e que era loucura moral tratar a vida humana como um instrumento de pesquisa. As mulheres seriam vítimas, também, já que a clonagem terapêutica exigiria enormes estoques de óvulos.

As apostas eram imensas e os dissidentes perderam. A ética teve de ficar em segundo plano com relação à ciência. A bioeticista Ruth Faden e o especialista em células-tronco, John Gearhart, ambos líderes em seu campo, foram a voz de muitos: “Acreditamos que a obrigação de aliviar o sofrimento humano nos une e justifica o uso instrumental da vida embrionária”.

Mas a cura nunca chegou.

Nos últimos dez anos, o evento mais memorável no campo das pesquisas com células-tronco embrionárias foi um recorde mundial para a fraude científica. Em 2004 e 2005, Science publicou dois artigos de Hwang Woo-suk, um cientista sul-coreano. Ele alegou que tinha isolado com sucesso células-tronco embrionárias humanas. A Coreia imprimiu selos em sua homenagem e ele foi aclamado como uma celebridade internacional. Mas era um charlatão, havia obtido óvulos de forma antiética e seus resultados eram falsos.

Comunicados de imprensa continuaram jorrando de institutos de células-tronco, mas eram sempre sobre os desenvolvimentos promissores, ao invés de curas comprovadas. Em 2011, depois de muitos falsos começos, a empresa de biotecnologia Geron, com sede na Califórnia, desistiu de sua pesquisa com células-tronco embrionárias para se concentrar em medicamentos contra o câncer. Era necessário: ela estava indo à falência.

A razão pela qual a pesquisa com células-tronco de embriões desapareceu das manchetes dos jornais é porque que ela foi substituída por “células-tronco pluripotentes induzidas”. Em 2007, o pesquisador japonês Shinya Yamanaka mostrou que era possível criar linhas de células estaminais a partir de células dapele sem destruir embriões. Quase imediatamente, os principais cientistas de células-tronco abandonaram a pesquisa com células-tronco embrionárias.

Yamanaka – um homem que tinha rejeitado a pesquisa com células-tronco embrionárias como antiética – ganhou o Prêmio Nobel de Medicina no ano passado.
Por várias razões, alguns cientistas continuam defendendo a causa das células-tronco embrionárias. No início deste mês, pesquisadores da Oregon Health and Science University anunciaram que tinham clonado embriões humanos e extraído com sucesso células-tronco embrionárias. O estudo foi publicado na revista Cell. Foi “uma conquista sem precedentes”, disse George Daly, do Harvard Stem Cell Institute. Mas sua alegria durou pouco.

O principal efeito deste trabalho foi evocar o pesadelo do escândalo Hwang. Leitores de olhos aguçados notaram que algumas imagens foram duplicadas. As nuvens começaram a se formar sobre os resultados. “É um grau de desleixo que não se esperaria de um jornal com este perfil”, disse um especialista à Nature.

Para obter o financiamento do governo e poder brincar de deus com embriões humanos, cientistas e bioeticistas mentiram, exageraram, foram sensacionalistas e caricatos. Foi uma batalha brutal, na qual a verdade ficou em segundo lugar. “As pessoas precisam de um conto de fadas”, disse Ronald D.G. McKay, outro importante cientista de células-tronco.

Inimigos da pesquisa com embriões foram chamados de trogloditas e fundamentalistas religiosos. Suas credenciais científicas foram questionadas. Eles foram acusados de ser insensíveis e indiferentes ao sofrimento de pacientes com doenças crônicas.
No entanto, eles estavam certos.

Nenhuma pessoa jamais foi curada com células-tronco embrionárias. Nem uma. Há ainda um longo caminho a percorrer antes que as células de Yamanaka possam ser usadas para tratar os pacientes. Mas a solução, quando vier, não exigirá a destruição de embriões.

Não há ninguém preparado para pedir desculpas?

(Fonte: Blog do Carmadélio)

segunda-feira, 5 de agosto de 2013

Bioética

Por Débora Carvalho Meldau 

A bioética é a ética aplicada a vida e, abrange temas que vão desde uma simples relação interpessoal até fatores que interferem na sobrevivência do próprio planeta. Dentro da medicina veterinária, este termo está intimamente ligado à noção de bem-estar animal. O termo bioética foi utilizado pela primeira vez no ano de 1970, por um médico oncologistachamado van Rensselaer Potter. As principais razões para seu surgimento foram:
• Abusos na utilização de animais e seres humanos em experimentos;
• Surgimento acelerado de novas técnicas desumanizantes que apresentam questões inéditas, como por exemplo,clonagem de seres humanos;
• Percepção da insuficiência dos referenciais éticos tradicionais, pois devido ao rápido progresso científico, torna-se fácil constatar que os códigos de ética ligados a diferentes profissões não acompanharam o rápido progresso científico, sendo diversas vezes insuficientes para julgar os temas polêmicos da bioética.

O emprego de descobertas científicas pode, muitas vezes, afetar positiva ou negativamente a sociedade ou até mesmo o planeta. Deste modo, a análise das vantagens e desvantagens do emprego de uma determinada tecnologia ou da realização de certos experimentos deve ser avaliada por comitês formados por indivíduos de diversas formações. Sendo assim, pode ser percebido que a bioética envolve profissionais das seguintes áreas:
• Tecnociências (medicina, veterinária e biologia);
• Humanidades (filosofia, teologia, psicologia e antropologia);
• Ciências sociais (economia e sociologia);
• Direito;
• Política.

Os princípios básicos da bioética são três:
• Autonomia ou princípio da liberdade: ele se baseia no fato de que na relação médico-paciente, este último possui o direito de ser informado sobre seu estado de saúde, detalhes do tratamento a ser prescrito e tem toda a liberdade de decidir se irá ou não se submeter ao tratamento determinado. Caso o paciente não possa decidir, os pais ou responsáveis é que tomam a decisão. Em casos de experimentos conduzidos com seres humanos, os indivíduos submetidos aos testes devem receber detalhes dos procedimentos a serem adotados e dar uma autorização, por escrito, de que deseja participar da pesquisa. Na medicina veterinária, como o animal não pode tomar essa decisão, cabe ao médico veterinário fornecer todas as informações sobre o animal e possíveis tratamentos e obter a autorização do proprietário para a realização dos procedimentos.
• Beneficência ou princípio da não-maleficência: toda e qualquer tecnologia deve trazer benefícios para a sociedade e jamais causar-lhe malefícios. É fato nos dias de hoje, que a bioética está mais relacionada aos seres humanos do que aos animais, pois a maior parte dos experimentos existentes visa beneficiar o homem e não os animais.
• Justiça distributiva: os avanços técnico-científicos devem beneficiar a sociedade como um todo e não apenas alguns grupos privilegiados.

A bioética divide-se em dimensões, também conhecidas como grandes áreas de estudo da bioética, que são:
• Dimensão pessoal: estuda a relação entre os profissionais responsáveis e seus pacientes. A liberdade do indivíduo ou responsável pelo indivíduo deve ser respeitada;
• Dimensão social, econômica e política: tem como objetivo estabelecer critérios para que seja determinada a alocação e distribuição de recursos, bem como tentar reduzir as diferenças econômicas e sociais dentro de um país ou entre países. Dentre os diferentes assuntos que são abordados nessa área da bioética, destacam-se: alocação de recursos financeiros; patentes; desequilíbrio entre países ricos e pobres e fome;
• Dimensões ecológicas: os principais temas que fazem parte da pauta de discussão da bioética no campo da ecologia são proteção ao meio ambiente, exploração dos recursos naturais, desertificação, poluição, extinção de espécies, equilíbrio ecológico, utilização de animais e plantas em condições éticas, proteção da qualidade de vida dos animais, desequilíbrio entre países ricos e pobres, problemas nucleares e proteção da biodiversidade;
• Dimensão pedagógica: trata-se da discussão de alternativas que visem uma melhora no ensino e aprendizagem nas instituições;
• Dimensões biológicas ou bioética especial: dentro deste grupo da bioética, destacamos o começo da vida, o diagnóstico pré-natal, o abortamento provocado, a reanimação do recém-nascido, a engenharia genética e organismos geneticamente modificados, terapia gênica, eugenia, reprodução medicamental assistida, clonagem,transplante de órgãos, experimentação animal e em humanos, eutanásia e distanásia.

A importância das discussões em bioética, em razão do seu caráter transdisciplinar, é fazer com que a ciência não utilize indiscriminadamente as novas tecnologias logo que se tornem viáveis, mas somente apenas após possuir o conhecimento e a sabedoria suficientes para utilizá-las em benefício da humanidade e não em seu detrimento. Nesse sentido, a bioética permitirá que a sociedade decida sobre as tecnologias que lhe convêm.

Fontes:
Biotécnicas Aplicadas à Reprodução Animal – Paulo Bayard Dias Gonçalves, José Ricardo de Figueiredo e Vicente José de Figueiredo Freitas. Ed: 2° (2008). Editora Roca.
http://pt.wikipedia.org/wiki/Bioética
http://www.ghente.org/bioetica/

quinta-feira, 1 de agosto de 2013

Por que NÃO à Eutanásia?

Não colocamos um nome mais "doce", porque não há; que alguns  inventem suas próprias histórias e justificativas a respeito -bem afastadas da realidade, por certo-, é outra história.

De acordo com o Santo Padre, "a eutanásia, embora não esteja motivada pelo rechaço egoísta de fazer-se cargo da existência daquele  que sofre, deve considerar-se como uma falsa piedade, mais ainda, como uma preocupante «perversão» da mesma.

Com efeito, a verdadeira «compaixão» faz solidários com a dor de outros, e não elimina a pessoa cujo sofrimento não  pode suportar. O gesto da eutanásia aparece ainda mais perverso se é realizado por quem --como os familiares-- deveriam assistir com paciência e amor a seu próximo, ou por quantos --como os médicos--, por sua profissão específica, deveriam cuidar do doente inclusive nas condições terminais mais penosas.

A opção da eutanásia é mais grave quando se configura como um homicídio que outros praticam em uma pessoa que não  pediu de nenhum modo e que nunca deu seu consentimento. chega-se além ao cúmulo do arbítrio e da injustiça quando alguns, médicos ou legisladores, se atribuem poder de decidir sobre quem deve viver ou morrer.

Deste modo, a vida do mais fraco fica nas mãos do mais forte; perde-se o sentido da justiça na sociedade e se mina em sua própria raiz a confiança recíproca, fundamento de toda relação autêntica entre as pessoas. O desejo que brota do coração do homem diante do supremo encontro com o sofrimento e a morte, especialmente quando sente a tentação de cair no desespero e quase de abater-se nela, é sobre tudo aspiração de companhia, de solidariedade e de apoio na provação. É petição de ajuda para seguir esperando, quando todas as esperanças humanas se desvanecem". (1)

Parece mentira que um médico e legislador pertencente à esquerda -suposta defensora dos direitos humanos- possa apresentar semelhante projeto, claramente contrário ao principal direito de todo homem: o direito à vida. Entretanto, é compreensível. Porque quem não tem fé, quem vê a vida de um ponto de vista meramente utilitarista e o homem como um ser puramente material, obviamente se desespera diante da dor e a morte.

A todos consta que suportar estes transes, torna-se com freqüência mais difícil para os que acompanham e cercam o doente, que para o doente mesmo; então, sejamos sinceros: a quem se pretende ajudar legalizando a eutanásia?; ao doente, ou aos que decidem sua morte? Alguém por acaso já se propôs estudar  que conseqüências traz em uma pessoa tomar consciência de sua responsabilidade na morte de um ser querido? Aos defensores da eutanásia, isso importa?

É interessante considerar o que traça a Conferência Episcopal Espanhola em um documento difundido em 19 de fevereiro de 1998, com motivo de uma campanha realizada naquele país para legalizar a  eutanásia:
"Hoje a eutanásia é novamente aceitável para alguns por causa do estendido individualismo e da conseguinte má compreensão da liberdade como uma mera capacidade de decidir algo com tal de que o indivíduo a julgue necessária ou conveniente. "Minha vida é minha: ninguém pode me dizer o que tenho que fazer com ela." "Tenho direito a viver, mas não me pode obrigar a viver."

Afirmações como estas são as que se repetem para justificar o que se chama "o direito à morte digna", eufemismo para dizer, em realidade, o "direito de se matar". Mas este modo de falar denota um egocentrismo que se torna literalmente mortal e que põe em perigo a convivência justa entre os homens. Os indivíduos se erigem, deste modo, em falsos "deuses" dispostos a decidir sobre sua vida e sobre a de outros.

Ao mesmo tempo, a existência humana tende a ser concebida como uma mera ocasião para "desfrutar". Não são poucos os falsos profetas da vida "indolor" que exortam a não aguentar nada absolutamente e a que nos rebelemos contra o menor contratempo. Segundo eles, o sofrimento, a resistência e o sacrifício, são coisas do passado, quinquilharias que a vida moderna teria superado já totalmente. Uma vida "de qualidade" seria hoje uma vida sem sofrimento algum.

Quem pensa que resta ainda algum lugar para a dor e o sacrifício, é tachado de "antigo" e de cultivador de uma moral para escravos. Não é estranho que desde atitudes hedonistas deste tipo, unidas ao individualismo, se ouça supostas justificações da eutanásia como estas: "eu decido quando minha vida já não vale a pena" ou "ninguém pode ser obrigado a viver uma vida sem qualidade". (2)

Merece viver uma pessoa idosa, que não pode valer-se já se por si mesma, depois de ter deixado a vida em benefício da sociedade, e em muitas ocasiões, daqueles que vão decidir sobre sua morte? Vale a pena prestar assistência aos deficientes, já que sua produtividade é menor, mínima ou nula? O que fazemos se faltarem leitos nos hospícios? Ampliamos a um um custo sempre alto, ou o "damos um fim" para os doentes irrecuperáveis, sem necessidade de investir um centavo?

Se o projeto de lei fora efetivamente apresentado e tivesse receptividade entre gente de outros partidos políticos, os deficientes e os idosos -os mais frágeis da sociedade- ficariam com o tempo a mercê de médicos que se atribuem o direito de decidir quem deve viver e quem deve morrer. Com todos os meios ao seu dispor para pôr "pra dormir" a quem lhe agrade...

Vejamos alguns dados do que vem acontecendo em outros países.

"Em 1995, por exemplo morreram na Holanda 19.600 pessoas de morte causada ("sanitariamente") por ação ou omissão. Destas pessoas só 5.700 sabiam o que estava acontecendo. No resto dos casos, os interessado não sabiam que outros tomavam por eles a decisão de que já não tinham que continuar vivendo". (3)

Se estes dados forem aterradores, não menos são dramáticos alguns casos particulares, como o de um médico cordobês que deu uma dose letal de clorofórmio a seu filho doente de difteria, precisamente no dia anterior ao anúncio da Roux de seu descobrimento do soro antidiftérico (4). Ou o caso de Maria Belém, uma bebê rosarina que em 1995 esteve 40 dias internada com um quadro de encefalite aguda.

Os médicos disseram que não havia nada que fazer, um neurologista de Buenos Aires aconselhou "jogá-la no lixo", um profissional amigo se ofereceu a dar uma injeção para "ajudá-la a morrer". Mas os pais se opuseram e hoje Maria Belém tem 5 anos, há 12 meses não sofre convulsões, recuperou a vista e grande parte da audição e come e brinca com seu irmãozinho (5).

Também está o caso de Karen Ann Quinlan, uma norte-americana de 21 anos que entrou em coma por uma overdose de álcool e drogas. Seus pais adotivos, logo depois de uma longa batalha legal, solicitaram aos médicos a interrupção dos tratamentos extraordinários, para permitir que a jovem morresse naturalmente. Entretanto, logo depois da desconexão, a paciente continuou com vida por dez anos.

Outro caso famoso, bastante parecido ao anterior, é o de Nancy Beth Cruzan, uma jovem de 25 anos que permaneceu em estado vegetativo persistente durante 8 anos até que a Suprema Corte autorizou a interrupção da administração de alimentos, falecendo em 1990.

Esta última decisão é claramente objetável; porque prover nutrientes a um ser humano, é satisfazer suas necessidades básicas, e privar  uma pessoa delas é homicídio por inanição (6).

Afirma Antonio Orozco que "uma sociedade que legitima a eutanásia suicida não está propiciando mortes dignas, mas sim a multiplicação incalculável de patéticas covardias diante da morte, a justificação de um temor perpétuo -inevitável em semelhante sociedade- a ser conduzido ao sanatório por razões exclusivamente utilitárias. Uma sociedade que legitima a eutanásia suicida, é uma sociedade que está proclamando sua inépcia para oferecer autêntica solidariedade, afeto, carinho a seus doentes terminais" (7). Ao parecer, nossa sociedade tem estas características. Segundo uma pesquisa realizada por Equipes Consultores  49% dos uruguaios parece ser partidário da eutanásia (8).

E as sociedades, têm os médicos que merecem. Aqui temos o deputado - doutor Gallo e nos Estados Unidos têm o tristemente célebre Dr. Kevorkian. Este personagem -o "Dr. Morte" para a imprensa-, parece-se mais ao velho carrasco de tocha e capuz, que ao grande Hipócrates, pois ganhava a vida vendendo uma máquina que ajudava as pessoas a morrer sem dor, escolhendo para isso os Estados que não tinham  pena para ajuda ao suicídio.

Foi julgado e absolvido em um deles, de maneira escandalosa, porque o jurado entendeu que não havia no médico "dolo" de homicídio (intenção de matar).

Mais recentemente Kevorkian, chegou ao cúmulo de obter que a CBS transmitisse ao vivo um suicídio assistido... Embora a nível local há alguns seguidores de Kevorkian, também há legisladores que têm o poder -e o dever- de decidir se forem deixar atuar impunemente os mercados da morte, ou se, em nome dos mais fracos, vão promover com todos os meios a seu alcance, a pesquisa e o desenvolvimento dos "cuidados paliativos", expressão genuína da cultura da vida, que nos propomos a defender.

Estes cuidados, permitem "facilitar uma morte verdadeiramente digna, quer dizer, uma morte o mais lúcida possível com a menor dor possível, sem violentar a natureza das coisas. É falso que a Igreja católica defenda o encarniçamento médico. O que defende é precisamente o direito de morrer com dignidade. E abençoa a quantos de uma maneira ou outra procuram paliar a dor, especialmente o dos doentes terminais. É mais, os cuidados paliativos -diz- constituem uma forma privilegiada da caridade desinteressada. Por esta razão devem ser incentivados (CEC N. 2.279)". (9)

Não é mediante o assassinato ou o suicídio assistido que se ajuda às pessoas a morrer dignamente: a morte verdadeiramente digna, proporciona, sem dúvida, quem se aproxima do idoso ou doente  terminal dispostos a padecer com ele, quem solidariamente se entrega a sua cuidado e atenção, quem alivia suas dores físicas e morais. Esperamos que nossos legisladores -crentes ou não-, atuem com sensatez; e desejamos que, sem resignar-se diante da dificuldade que é  para o homem de hoje enfrentar a dor e a morte, manifestem-se a favor da vida: DE TODA VIDA HUMANA, VALIOSA E DIGNA ENQUANTO  TAL. Faz quase duas décadas os orientais se reuniram em frente ao Obelisco "Por um Uruguai sem exclusões". Continua de pé o compromisso?

AVE FAMÍLIA
(1) Evangelium Vitae «Eu dou a morte e dou a vida» (Dt 32, 39) o drama
da eutanásia)
(2) Conferência Episcopal Espanhola, Sobre a Eutanásia, , II, b), 7.e 8.
www.arvo.net
(3) Conferência Episcopal Espanhola, Op.cit. III, c) 15. Cf. W.J. Eijk / J.P.M.
Lelkens, Medical-Ethical Decisions and Life-Terminating Actions in The
Neederlands 1990-1995. Evaluation of the Second Survey of the Pratice of
Euthanasia, Medicina e Morale 47 (1997) 475-501, 491.
(4) M.G. Morelli, La Eutanasia, Cfr. TALE, Camilo, La eutanasia,
comunicación al Congreso Nacional de Jóvenes, Córdoba, 1994).
www.vidahumana.org
(5) M.G. Morelli, Op. cit., Diario La Capital de Rosario, 26/7/95)
www.vidahumana.org
(6) M.G. Morelli, Op.cit.; Sobre el tema, v. Sgreccia, Elio, Manual de
Bioética, ed. Diana, México, 1996, tomo 1, p. 610. www.vidahumana.org
(7) Antonio Orozco, "La escalera de los siete escalones" (Equivalencia de la
eutanasia activa al suicidio asistido). www.arvo.net.
(8) El Observador (12/04/2001)

(9) A. Orozco, Op. cit.