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domingo, 28 de outubro de 2012

CONSOLIDAÇÃO DO NAB PERANTE A IGREJA PARTICULAR DE CURITIBA


acolhida

proclamação do Evangelho

leitura do Documento de Aparecida


leitura do Documento da CNBB


a Bioética e sua Evolução






















apresentação da Equipe Diretiva


presença da Pastoral da Saúde
pausa para o Intervalo 
















fala de Dom Rafael






encerramento.


Arquidiocese de Curitiba, 27 de outubro de 2012.





quarta-feira, 17 de outubro de 2012

REFORMA DO CÓDIGO PENAL


 /
JUSTIÇA

Novo texto, polêmicas antigas

Pela proposta em tramitação, o aborto seria descriminalizado, e a eutanásia poderia não ser punida dependendo das circunstâncias de sua realização

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Publicado em 17/10/2012 | DIEGO RIBEIRO
Aborto e eutanásia, dois temas que causam muitas polêmicas no Brasil, devem vir à tona novamente nos próximos meses, com a discussão da reforma do Código Penal (CP) no Congresso. Pelo novo texto em tramitação, o aborto seria descriminalizado, e a eutanásia poderia não ser punida dependendo das circunstâncias de sua realização. Para muitos especialistas, os temas são muito controversos para as proposições correrem a passos tão largos em Brasília. Durante sete meses de trabalhos, houve apenas quatro audiências públicas em Brasília, São Paulo, Rio de Janeiro e Porto Alegre, além de dois seminários, em Aracaju e Cuiabá, para debater todas as propostas da reforma.
Todos os especialistas ouvidos pela reportagem concordam que esses dois temas precisam de mais debate. É o que acredita o professor da Faculdade de Direito da Universidade Federal do Paraná (UFPR), José Antônio Peres Gediel. Segundo ele, seria preciso amadurecer o debate antes de levá-lo ao Legislativo e de chegar às questões penalistas.
Autonomia
Médico poderá se negar a fazer aborto mesmo se prática for aprovada
O presidente do Conselho Regional de Medicina do Paraná, Alexandre Gustavo Bley, defendeu a atitude médica nos casos de aborto e lembrou que a entidade não vê com bons olhos a eutanásia. Ele ressaltou que, caso a proposta de mudança do Código Penal seja aprovada, o médico não será obrigado a realizar um aborto. “Ele poderá avaliar [como explica o texto do documento]. Fazer um diagnóstico é diferente de proceder ao aborto”, afirma.
De acordo com ele, o aborto é uma questão multifatorial que envolve a educação da população e envolvimento da saúde pública. Sobre a liberação do aborto em fetos com anencefalia, ele lembra que o Supremo Tribunal Federal já definiu o caso, ressaltando que isto passa por uma avaliação de foro íntimo da mãe.
A eutanásia, que abrevia o curso da história do paciente, não é aceita pelo CRM. “A proposta de flexibilização é vedada pelos conselhos regionais de medicina”, afirma.
Religião
Igreja Católica não se opõe à ortotanásia, mas rechaça outras práticas
O coordenador do Núcleo Arquidiocesano de Bioética de Curitiba, padre Juarez Rangel, diz que a Igreja Católica não se opõe à ortotanásia, que é a morte natural, sem a interferência da ciência ou tecnologia para abreviar a vida ou prolongá-la – mesma posição defendida pelo Conselho Regional de Medicina. Na reforma do Código Penal, a ortotanásia deixaria de ser crime.
Porém, em relação ao aborto e eutanásia, a Igreja se coloca “a favor da vida” e rechaça a possibilidade de descriminalizar o aborto. “A Igreja é a favor da vida, em especial quando há fragilidades em questão”, ressalta Rangel, sobre ambos os casos.
Rangel explica que a Conferên­cia Nacional dos Bispos do Brasil está recolhendo assinaturas para mostrar que a população é contrária a essas propostas. “O Legislativo deveria ouvir mais a população, e me parece que isso não tem ocorrido de maneira satisfatória”, diz.
O padre ressalta que pensar na morte como solução é preocupante em qualquer sociedade. “Há uma banalização em curso: não estamos olhando para vida com o devido valor”.
13 mil
manifestações de cidadãos para alterações e contribuições em todas as matérias que envolvem a reforma do Código Penal foram recebidas até a semana passada pelo serviço “Alô Senado”. O projeto poderá sofrer alterações, mediante emendas e, inclusive, ser rejeitado no plenário do Senado ou na Câmara dos Deputados, em próxima etapa. A comissão de juristas fez mais de vinte reuniões para debater a reforma.
Ortotanásia
Pelas propostas de mudança, não haverá crime quando o agente deixa de fazer uso de meios artificiais para manter a vida do paciente em caso de doença grave irreversível, e desde que essa circunstância esteja previamente atestada por dois médicos e haja consentimento do paciente, ou, na sua impossibilidade, de ascendente, descendente, cônjuge, companheiro ou irmão.
A Universidade de Brasília chegou a estimar em uma pesquisa feita dois anos atrás que uma em cada sete brasileiras entre 18 e 39 anos já havia realizado ao menos um aborto. Na avaliação de Gediel, a discussão ideal sobre o tema teria de ser dividida em subtemas, como saúde da mulher, perspectivas do direito à personalidade e dos direitos fundamentais e, só então, partir para o direito penal. “As entidades que estão pensando o Código Penal devem abrir o debate para tentar entender os interesses em jogo. Trata-se de ver a questão inteira, com toda a sua complexidade”, diz ele, afirmando que o Brasil deve criar a cultura do debate.
Causa
Para o coordenador do curso de Bioética da Pontifícia Universidade Católica do Paraná (PUCPR), Mário San­­chez, é preciso discutir porque as mulheres fazem aborto no Brasil. “Pessoalmente, a questão jurídica não é relevante. É preciso criar condições para que as pessoas não precisem abortar”, observa. Segundo ele, a cada 100 partos no mundo, 30 são abortos. “O problema não é se há crime ou não. Aborto é um pacote de dor para a criança, a mulher e o sistema de saúde. A questão deve ser sobre o porquê de haver aborto no Brasil”, destaca.
O texto do documento que tramita no Senado insere uma nova possibilidade de não aplicação de pena no caso do aborto – que se soma aos casos em que a mulher for vítima de violência sexual ou quando houver risco à vida da gestante: quando a gestante, até a 12.ª semana de gravidez, quiser e um médico ou psicólogo atestar falta de condições psicológicas para ela arcar com a maternidade. O anteprojeto de reforma também prevê a possibilidade de não aplicação de pena em casos de aborto de feto anencéfalo.
Debate sobre eutanásia foca em limites da ciência e possíveis abusos
Sobre a eutanásia, o debate ainda suscita muitos questionamentos. De acordo com o professor José Antônio Peres Gediel, da UFPR, é necessário ampliar a discussão sobre o papel da tecnologia para prolongar a vida. “Por que a vida é prolongada cada vez mais?”, questiona. Outra questão fundamental antes de entrar no direito penal, para Gediel, é tratar sobre quem efetivamente decide pela eutanásia. “O debate sobre o poder médico não é feito com a profundidade necessária na sociedade brasileira. É como se os familiares pudessem tomar as decisões [sobre eutanásia] sem a presença desse profissional”, comenta.
O professor Mário San­­chez, da PUCPR, defende que no caso da eutanásia, do ponto de vista teórico, pode haver certa flexibilidade, mas, quando se parte para a prática, abrem-se brechas para abusos. “Em países como a Holanda, que é pequeno e homogêneo, a eutanásia é liberada, em 60% dos casos o protocolo não é seguido. Seria uma loucura [permitir a eutanásia]. Haveria manipulação do processo”, diz.
O promotor Paulo Sérgio Markovicz de Lima, da Va­­ra do Tribunal do Júri de Curitiba, também critica a proposta de mudança no anteprojeto sobre eutanásia, cuja prática não seria mais punida. “Vai haver um estímulo à eutanásia. O fato de pessoas mais próximas autorizarem o procedimento deveria ser até um agravante, já que pode acabar ocorrendo por dinheiro”, diz.

domingo, 26 de agosto de 2012

NÚCLEO ARQUIDIOCESANO DE BIOÉTICA PROCURA PROFISSIONAIS EM CURITIBA

Voltamos do nosso semi-involuntário "recesso olímpico"; outro desses, acho que só em 2016 mesmo (pelo fuso horário, os Jogos Olímpicos de Inverno de 2014 não deverão atrapalhar tanto o trabalho do blogueiro).

Soube recentemente que a Arquidiocese de Curitiba tem um recém-constituído Núcleo de Bioética. Dom Moacyr Vitti encarregou o padre Juarez Rangel, pós-graduado em Bioética pela PUCPR, de comandar o núcleo, e o desafio imediato é completar o quadro de especialistas. "Quando fizermos algum pronunciamento, não poderemos errar sob nenhum ponto de vista: legal, médico-científico, moral, doutrinal ou teológico. Por isso o núcleo precisa ter padres, agentes pastorais, advogados, profissionais da saúde como médicos e enfermeiros, assistentes sociais, teólogos, especialistas em Direito Canônico e Teologia Moral, entre outros profissionais", explica o padre Juarez. Hoje, o Núcleo Arquidiocesano já tem entre seus membros ou consultores nomes conhecidos da bioética paranaense, como o professor Mário Sanches e o oncologista Cícero Urban. Mas ainda faltam advogados.
O núcleo curitibano foi criado em maio, atentendo a um pedido da Regional Sul 2 da CNBB; que todas as dioceses do Paraná constituíssem órgãos semelhantes para discutir os desafios apresentados atualmente pelos temas de bioética e conscientizar os fiéis católicos sobre os temas relativos ao início e ao fim da vida, questões sobre reprodução assistida ou o uso de embriões em pesquisas. O site ainda está em estágio embrionário. "Temos muito material pronto, mas ainda estamos procurando um meio de deixá-lo mais visível nos sites de busca; quando descobrirmos como fazer isso, colocaremos tudo no ar", avisa o padre Juarez.

Jacky Naegelen/Reuters
Jacky Naegelen/Reuters / Manifestação contra a eutanásia na França: ainda falta esclarecimento entre católicos sobre questões relativas ao fim da vida, para o padre Juarez Rangel.Manifestação contra a eutanásia na França: ainda falta esclarecimento entre católicos sobre questões relativas ao fim da vida, para o padre Juarez Rangel.

Por enquanto, o núcleo se limita a suas reuniões mensais, mas os planos para 2013 já são mais ambiciosos. A partir do ano que vem, o Núcleo Arquidiocesano passará a promover cursos nos vários setores em que a arquidiocese se divide atualmente. O público-alvo principal é formado por catequistas e líderes de pastoral, que poderão passar adiante o conhecimento adquirido. "Vejo que hoje existe um desconhecimento entre os católicos especialmente em relação às questões sobre o fim da vida", afirma o padre Juarez, acrescentando que para muitos católicos ainda não está clara a distinção entre eutanásia, distanásia e ortotanásia.
Apesar de a necessidade principal do núcleo ser de advogados, nada impede que profissionais de outras áreas já contempladas no quadro do núcleo também queiram participar.